Search
Generic filters
Exact matches only
Search in title
Search in content
Search in excerpt
Filter by Categories
Politica
Desporto
Economia
Sociedade
Ambiente
Cooperação
Cultura
Internacional
Destaques
Eleições

Boa Vista: Músicos irmãos Toy e Danda compartilham palco e honra em homenagem da AMBV

Sal Rei, 30 Set (Inforpress) – Os irmãos António e Romualdo Santos, músicos, conhecidos por Toy e Danda, compartilharam hoje o palco e a honra de serem homenageados pela Associação da Música da Boa Vista (AMBV), durante 3ª Semana da Morna.

Em de3clarações à Inforpress, antes da noite de morna na Praia de Diante, o instrumentista António da Luz Santos, recorreu à infância para explicar a tendência para tocar instrumentos musicais, quando se faziam bailes em casa da sua família.

Recordou que se levantava cedo para apanhar os restos de cordas de viola e violinos deixados pelos tocadores, para confeccionar os seus próprios instrumentos em pedaços de lata e madeira, com ajuda do pai que era carpinteiro e também os afinava.

Por empréstimo recebeu o primeiro violino de Nhô Tonásio, amigo da família, e, a partir daí, começou a treinar.  

Mais tarde, durante curso na área da mecânica, na cidade da Praia, altura em que tocava no grupo Camponês, comprou um saxofone, em Nono do Bulimundo, dali seguiu nos toques e aprendizagem, com a aquisição de violino, cavaquinho e violão.

“É através dos instrumentos que temos música. Sou apaixonado por cantar e tocar, mas primeiro os sons têm de acontecer nos instrumentos, para depois termos música”, afirmou, acrescentando que se apaixonou por escrever as suas próprias composições, alguns dos quais ainda não foram divulgados.

Quanto às suas carreiras em grupos musicais narrou que, na ilha da Boa Vista, sendo mais velho do grupo, foi chefe de Geração Cabral, em 1985, e na ilha do Sal, fez parte de Cacimba da Madrugada, que foi campeão de música tradicional, em Cabo Verde.

Para Toy, como é conhecido entre familiares e amigos, a música tem “grande significado”, mas criticou as escolhas feitas para o mundo desta arte através de escolhas partidárias, amizades e simpatias. O que para o mesmo poderá conferir, por vezes desmotivação para os que querem seguir carreira musical.

Sobre registos de músicas confessou que está guardada por familiares, uma gravação sua a tocar vários instrumentos, como se fosse uma única banda a fazer um concerto.

“Sinto-me honrado com esta homenagem, de ter feito muitas coisas e hoje muito mais ainda. Este tributo talvez demorou porque ‘vinha de barco à vela’, mas o importante é que chegou”, disse, encarando-a também como uma oportunidade para demonstrar o seu trabalho à nova geração que não o conhece, tendo em conta que há anos vive fora da Boa Vista.

Toy considera que trabalhou para que visse chegado este momento já que, concretizou, deu simpatia, amizade, mestria e a disponibilidade dos seus instrumentos. Por isso espera retribuir ao públicoesta honra que fique na história e estímulo para que os mais novos se dedicarem a instrumentos.

“Eu sou força do meu querer e boa vontade. A minha paciência não esgota nunca e estou aberto como artista e como amigo, como um filho desta terra”, pontuou.

A história de António Da Luz Andrade entrelaça-se com a do seu irmão, Romualdo Andrade Santos, que reconheceu no irmão uma fonte de inspiração para tocar e que, quando o levava para as tocatinas, o incentivou a fazer as suas próprias notas musicais.

Mas declarou que, foi mesmo a cantar que deu pontapé de saída para marcar presença nas noites de serenata, incitado pela esposa que também marcava presença nos mesmos eventos culturais.

A convite do amigo Manuel Brito, juntou-se à extinta banda “Djalunga”, e trilharam caminhos na divulgação da cultura cabo-verdiana por alguns países europeus, tendo mais tarde, durante alguns anos, seguido em tocatinas nos hotéis da ilha, desta feita acompanhado do grupo UniSom.

“Não tenho composições feitas, sou unicamente intérprete. Vou cantar hoje a música escrita pelo meu irmão que fala sobre a nossa mãe que tem de estar sempre na nossa memória”, disse, realçando o sucesso que foi a morna quando propôs a sua gravação a Pancrácio Tomar, feito com o produtor Kim Alves.  

Para além de músico sou carpinteiro, marceneiro, barbeiro, chefe de barco quando leva turistas para ver baleias, “Danda”, como é apelidado pelos conhecidos, comentou que, se deveria apoiar todos artistas cabo-verdianos e não ajudar alguns com “melhores empurrões”, em detrimento de muityos outros.

“Esta homenagem significa muito para mim e vejo que reconheceram o que sou, porque sem falsas modéstias, sempre fui uma pessoa que colaborou com muitos em criar condições para fazer tocatinas”, afiançou, realçando que, por este motivo, teve o reconhecimento de muitas pessoas ao mesmo tempo que recordou que já havia sido homenageado.

Os dois irmãos, António da Luz Santos (Toy) e Romualdo da Luz Santos (Danda), agradeceram a homenagem da Associação de Músicos da Boa Vista (AMBV), no qual projectam conseguir retribuir esta honra aos que apreciam a música e a cultura cabo-verdiana.

VD/HF

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos