Boa Vista: Moradores da zona Norte “revoltados” pedem urgência na resolução do problema da falta de água

Sal Rei, 12 Jun (Inforpress) – A população da zona Norte da Boa Vista está revoltada com falta de água na localidade, onde há duas semanas, devido a avaria num furo ficou dependente do abastecimento de água no único chafariz da zona.

Esta informação foi dada à imprensa por alguns moradores de João Galego onde, a 27 de Maio, a população tentou impedir o percurso da comitiva do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que seguia para Fundo de Figueiras para presidir a inauguração da unidade dessalinizadora, um investimento de 60 mil contos.

Durante o protesto, os moradores questionaram o chefe de Governo sobre o projecto, alegando haver somente 40 casas com ligação da rede de água domiciliária e que se devia aguardar pela ligação de água a todas as casas para posteriormente efectivar a inauguração.

Na altura, o primeiro-ministro apelou à população do Norte para fazer o mínimo esforço de ligar água às residências, sendo que seria gratuito, tendo somente a incumbência de adquirir a caixa para o contador.

Neste final de semana, volvidos duas semanas após a inauguração, os moradores dizem estar em situação “crítica” de falta de água, e afirmam ainda estarem dependentes somente da água de chafariz.

“O projecto de água já foi inaugurado pelo primeiro-ministro, entretanto há zonas onde existem casas, inclusive onde tenho um empreendimento turístico-hoteleiro, não foram contempladas com a rede de água que ficou até a parte mais antiga da localidade”, afirmou Marcelo Fortes, proprietário de um hotel em João Galego.

Conforme este operador, de momento o estabelecimento está praticamente de portas fechadas, isto porque se não tiver como transportar água de poços de agricultores que também já é escassa, não dispõe de água nem para as casas de banho do hotel.

Outro morador, Dario Andrade, explicou que se trata de uma situação que está a afectar toda a zona Norte, onde, aos finais de semana, enfileiram boias ao pé do chafariz para conseguir água para as suas casas.

“Há pessoas já idosas e que recebem a pensão social de cinco mil escudos por mês, têm de pagar 20 escudos para cinco bóias de água de 25 litros, e ainda têm que pagar mais 200 escudos para alguém os levar à casa”, disse, lamentando que a população esteja desprovida de informações sobre esta situação.

O mesmo morador realçou que, ao contrário da informação de que a população teria de colocar contadores em casa para que pudesse ter água canalizada a domicílio, o mesmo certificou que cerca de 50% das casas dispõem do equipamento, mas que, mesmo assim, continua tudo a mesma.

“Isto já é um grande gasto. Porque há uma falta de informação que é uma vergonha do que fazem para a população da zona Norte. Cabeça dos Tarafes já tem água, Fundo Figueiras 5% da população já tem água e em João Galego nada”, desabafou.

Por sua vez, a residente Barbara Pires relembrou que no próximo mês completa um ano que a população da zona Norte realizou uma manifestação, precisamente a reivindicar canalização de água com qualidade na zona, argumentando que, até agora, continuam a vivenciar os mesmos problemas.

É que segundo a mesma, há cerca de duas semanas, que o furo de água salobra que existe está avariado, pelo que as pessoas agora são obrigadas a se deslocarem todos os dias ao chafariz para apanhar água.

Sob a sua análise, para além do tempo que se perde, é algo que constitui um custo para a família na localidade de João Galego, e, por isso avançou que, caso não resolva a situação, poderão agendar outra manifestação.

VD/CP

Inforpress/Fim

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