Boa Vista: Funcionários da câmara municipal e da delegacia de saúde ameaçam partir para greve por tempo indeterminado – Siacsa

Sal Rei, 05 Out (Inforpress) – O Siacsa denunciou, terça-feira, 04, violações dos direitos e precariedade laboral dos funcionários da Câmara Municipal da Boa Vista e da Delegacia de Saúde da Boa Vista, e ameaça partir para greve por tempo indeterminado.

O coordenador local do Sindicato de Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura, Florestas, Serviços Marítimo e Portuário (Siacsa), Zidane Andrade, fez esta declaração em conferência de imprensa para demonstrar a insatisfação e o descontentamento baseado em pontos de reivindicações de alguns funcionários da Câmara Municipal da Boa Vista e da Delegacia de Saúde da ilha.

Conforme justificou, um dos pontos que levou o sindicato a ir por esta via, é que havia um pré-aviso de greve dos funcionários da câmara municipal, previsto para 07 de Outubro de 2021, que veio a ser suspensa no decorrer de um reunião de conciliação e mediação entre a Direcção-Geral do Trabalho (DGT) e a Câmara Municipal da Boa Vista, tendo ficado acordado que a maior parte das reivindicações seriam assumidas pela autarquia local, em meados de Janeiro de 2022.

Segundo Zidane Andrade tudo está ainda pendente, sem resolução, e nem se quer tem uma resposta da câmara municipal, que está em silêncio, deixando os trabalhadores e o sindicato preocupados.

Entretanto, conforme reiterou, até agora não há nenhuma resposta da instituição camarária que aprovou em orçamento, em Dezembro de 2021, o montante destinado à resolução desses problemas no valor de dois milhões, 291 mil, 340 escudos, pelo que o sindicato questiona, onde foi parar este orçamento aprovado na altura para funcionários de carreira.

O sindicato informou ainda que, apesar de desde 2013 haver o PCCS para funcionários públicos, que foi implementado na câmara municipal, não se alterou o escalão dos funcionários, isto é, explicou, mudaram-se os salários retroactivos, mas não se mexeu nos escalões.

“Funcionários desde 2004 até presente data praticamente com uma atualização salarial”, indicou, dizendo que, “isto demonstra que a câmara municipal não tem o mínimo respeito pelos funcionários e colaboradores.

No mesmo quadro, referiu, os bombeiros municipais enfrentam várias dificuldades, nomeadamente, a estagnação na carreira e salários, o número reduzido de efectivos para cobrir a ilha inteira, além da falta de equipamentos e materiais.

Na delegacia de saúde, o dirigente do Siacsa na Boa Vista indicou que se enfrentam, praticamente, as mesmas situações laborais, onde os trabalhadores não têm condições de trabalho.

O dirigente sindical denunciou que, na instituição, tem apenas uma ambulância e um carro de serviço que está mais tempo com o delegado de saúde do que na própria instituição, pelo que pediu às autoridades competentes que, reparem e fiscalizem estes casos que, a seu ver, não devem acontecer.

O sindicalista denunciou situações de precariedade de tratamento dos funcionários que sofrem com represálias e assédio moral. Daí que assegurou que, com tudo isso, pretendem preparar um processo para denunciar no Ministério Público (MP) a forma como essas entidades empregadoras a nível local tratam os trabalhadores.

“Neste caso reivindicamos este ponto a ser atendido o mais breve possível caso contrário trabalhadores e sindicato pretendem entrar em greve por tempo indeterminado”, garantiu, clarificando que estão nesta luta e não vão parar enquanto não forem salvaguardados os direitos adquiridos e as carreiras dos trabalhadores.

“Os direitos dos trabalhadores têm de ser assumidos e garantidos”, reiterou, observando que espera que, no momento da greve a câmara municipal representada pelos seus vereadores, directores ou mesmo pelo presidente, não chame os trabalhadores nos gabinetes para os chantagear e ameaçar.

“Queremos que estas reivindicações sejam levadas em consideração para que os trabalhadores sejam beneficiados dos seus direitos e que tenham um trabalho, emprego e um salário dignos”, frisou, informando que, ainda se está em concertação com os funcionários da câmara municipal e que com os da delegacia de saúde a partir de 18 de Outubro pretendem entrar em greve por tempo indeterminado caso as reivindicações não forem revistas e resolvidas.

VD/HF

Inforpress/FIM

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