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Boa Vista: Comércio “fraco” e pouco “movimento” em restauração marcam época festiva na ilha

Sal Rei, 31 Dez (Inforpress) – O comércio com “pouca venda e fraco movimento” em restauração e hotéis fechados marcaram a época festiva do Natal e final do ano na Boa Vista, onde o “movimento turístico se estagnou”, por causa da pandemia da covid-19.

Hoje, ao final da tarde, na churrasqueira Sal Rei, a dona do restaurante, Joana Évora, fazia os últimos preparativos para receber os clientes que poderão chegar ao inicio da noite, para ao menos, conviver com os amigos e comemorar a passagem de ano.

“O movimento está fraco. Acho que os governantes deveriam ver formas de ajudar os comerciantes, restaurantes e os hotéis nesta ilha, que dependem totalmente do turismo, e onde, por causa da covi-19, praticamente tudo parou”, disse Joana Évora, fazendo conta à vida, com “despesas de luz e água, pagamentos às finanças, e muitas responsabilidades”, sublinhando, entretanto, “venda fraquíssima”.

Para tentar ultrapassar estas dificuldades, Joana Évora informou que “teve que baixar os preços dos pratos e ainda fazer alguma actividade diferente”, frisando que “a casa cheia não significa necessariamente muita venda”.

“Fiz um menu com preços acessíveis e mesmo assim não tivemos muita adesão. É complicado”, exclamou, ao mesmo que se manifestou incansável no apelo ao Governo para ver, principalmente, “as microempresas recém-criadas” e que não conseguiram “criar uma base para aguentar esta crise”.

“A venda está escassa, apesar de registo de algumas encomendas, mas menos do que o ano passado”, afirmou Letícia Nascimento, dona do restaurante Olnatura.

Sendo que o público de Olnatura é específico, tendo em conta que vendem alimentos sem glúten e sem lactose, segundo Letícia Nascimento, “por estes dias optou por introduzir estes componentes alimentícios para ver se consegue aumentar o leque de clientes e driblar a crise”.

Letícia Nascimento “teme pelo ano vindouro por causa deste apuro que persiste no meio do comércio boavistense”, e arriscou em “prever encerrar o estabelecimento”.

Entretanto, numa ronda efectuada esta tarde, pela cidade de Sal Rei, mais precisamente no mercadinho Dona Idalina, a Inforpress constatou que as vendedeiras colocaram as roupas, verduras e legumes na rua, numa estratégia de atraírem mais clientes.

Tatiana Tavares conferiu “pouca venda durante estes dias” e aventura a afirmar que “o local de comércio está mesmo desanimado”.

“Fizemos as compras e colocamos aqui para vender, mas não há fregueses para levar ao menos um pé alface. Hoje está pior do que nos dias normais. Ninguém na rua, nem para comprar mesmo nada”, disse Tatiana, que recorda ainda da pouca venda registada pelo Natal.

A mesma comerciante disse que “desceu os preços a um nível razoável para atrair clientes”, mas acautelou que, “mesmo assim, não foi o suficiente para garantir a entrada de algum dinheiro na caixa”, perspectivando ainda que o comércio continuará “igual”.

“Ontem e hoje fizemos esta feira na rua, o que foi congratulado por muitas pessoas. Por isso, aproveitamos para pedir que no mês de Janeiro nos dêem um Domingo para vender em feira, na rua, para tentar criar algum movimento e compensar o mês de Dezembro que foi muito fraco em relação aos anos anteriores”, disse outra vendedora, que lembrou o ano triste que agora finda.

Já na rua, a Inforpress abordou Ciliana Pires, mais conhecida por “Doce de Amor”, que vende doces nas ruas da cidade de Sal Rei. Esta mãe de família, que sai todos os dias para vender os conhecidos doces de coco, descreveu a venda como “muito má”.

“Os doces, continuo a vende-los a dez escudos. Mas o preço de outros objectos teve uma baixa significativa. É melhor ganhar pouco do que nada. Espero que isso venha a melhorar para o ano”, manifestou esperançada, ao mesmo que ajeitava alguns bijutarias que junta com os doces para aumentar o pequeno volume de vendas e conquistar ao menos os nacionais que circulam pelas ruas.

Já na loja de utensílios de casa e de brinquedos, a dona do estabelecimento, Patrícia Ferreira, conferiu que se notou uma época muito mais calma do que o ano anterior.

Entretanto, a mesma lamentou que “não conseguiu fazer nenhuma estratégia para atrair mais clientes, como baixar os preços”, isto porque, alegou, “as suas mercadorias são diferentes e por isso teve que cortar no volume das encomendas de produtos mais caros”.

Ainda conforme a sua reflexão, “não foi possível fazer sequer grandes promoções, porque os preços dos transportes e as taxas alfandegárias são as mesmas”, daí que, concretizou, “não conseguiu baixar os preços”.

Nas paragens de taxistas e hiaces, praticamente todos os condutores encontravam-se parados, de mãos atados, à espera que apareça passageiros para fazer algum frete.

Ao inicio da noite, houve algum movimento nos supermercados e lojas dos comerciantes chineses que ainda vendiam bebidas e aperitivos aos poucos clientes que chegavam.

Quase a terminar a ronda pelo comércio na cidade de Sal Rei, a Inforpress encontrou com o munícipe Nildo Rodrigues, que pediu “reflexão sobre o que aconteceu e que sejamos pessoas ainda melhores em 2021”.

“A pandemia fez com que as famílias voltassem a reunir-se e poderemos tirar ilações de como antes não tínhamos tempo de estar com a família para ter bons momentos, dialogar uns com os outros”, concluiu, pedindo que se mantenha e prevaleça o espírito de união que reinou entre as famílias durante este tempo de pandemia.

VD/JMV

Inforpress

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