Boa Vista/Futebol: Onze Estrelas ameaça não participar em nenhuma prova desportiva organizada pela ARFBV (c/áudio)

Sal Rei, 19 Jan (Inforpress) – O Onze Estrelas da Boa Vista decidiu hoje não participar em nenhuma prova desportiva organizada pela ARFBV para a presente época desportiva, caso se mantenha o posicionamento de não se realizar a final da Taça Bubista 2019/2020.

Esta decisão foi comunicada hoje pelo presidente do Onze Estrelas Clube, Mário Morais, em conferência de imprensa, a partir da sede do clube de futebol na localidade de Bofareira, explicando que em causa estã a não realização das duas últimas jornadas do Campeonato Regional de Futebol da Boa Vista e a final da Taça Bubista.

“A 18 de Março de 2020,  com o surgimento dos primeiros casos de covid-19 em Cabo Verde, quando o ministro do Desporto decidiu suspender todas as competições desportivas, por um período inicial de três semanas, faltavam ainda disputar as duas últimas jornadas do Campeonato Regional de Futebol da Boa Vista e a final da Taça Bubista, cujos finalistas já eram conhecidos, e foram eles, o Onze Estrelas e o Sanjoanense”, começou por explicar.

Com a propagação do vírus no país, prosseguiu  Mário Morais, o ministro do Desporto sugeriu a 8 de Maio do corrente ano o “cancelamento da época desportiva 2019/2020”, e face a esses desenvolvimentos, a Associação Regional de Futebol de Boa Vista (ARFBV) reuniu em Assembleia-geral os clubes no dia 03 de Junho de 2020.

Mário Morais avançou que naquela reunião a ARFBV “decidiu-se e ficou aprovado não se cancelar nenhuma prova, salvaguardando assim a época desportiva 2019/2020, dar por concluído o campeonato regional e atribuir ao Sporting Clube da Boa Vista o título de Campeão Regional da mesma época”.

Adiantou que na mesma reunião foi deliberada a disputa da final da Taça Bubista entre os clubes Onze Estrelas Clube de Bofareira e Sport Club Sanjoanese para o início da época desportiva 2020/2021.

Entretanto , conforme o dirigente, a 21 de Setembro de 2020, em nova reunião da ARFBV para discutir com os clubes a preparação da nova época desportiva 2020/2021, a direcção da ARFBV comunicou que “não se iria realizar a final da Taça Bubista 2019/2020”.

Mário Morais considera que esta decisão da ARFBV foi tomada de forma “unilateral e contraria a decisão unânime dos clubes presentes na anterior assembleia-geral da ARFBV”.

“Decidimos não participar em nenhuma prova desportiva organizada pela ARFBV para a próxima época desportiva, caso se mantiver esse posicionamento e decisão de não realizar a final da Taça Bubista 2019/2020”, disse o presidente, certificando que a direcção do clube Onze Estrelas fez “vãs tentativas de dialogar e dissuadir a direcção da ARFBV sobre a decisão”.

Para a direcção do Onze Estrelas, deixar de realizar o jogo da final da Taça Bubista 2019/2020 constitui “uma irregularidade grave da ARFBV que, agindo dessa forma, não respeita nem cumpre as decisões emanadas na sede da Assembleia-geral, e é uma acção que contribuirá para desvalorizar e desprestigiar o campeonato boa-vistense e a Taça Bubista”.

Mário Morais observou que “se trata de uma alteração do figurino das competições regionais sem a necessária anuência dos clubes, e de uma atitude de desrespeito pelo futebol e clubes boa-vistenses”, referindo-se “particularmente aos dois clubes finalistas da Taça, que se empenharam e conquistaram por mérito próprio o direito a disputar um importante troféu, com a agravante de que, para o Sanjoanense, disputar esse jogo seria uma rara oportunidade de conquistar o seu primeiro troféu oficial”.

“Aliás, a nossa impressão é que tal só acontece porque os dois finalistas são equipas do interior da ilha, e não de Sal-Rei, como, se calhar, era desejo de alguns”, afirmou, realçando que “não seria incomum, ilegítimo nem inédito a realização desse importante jogo”.

E a título de exemplo, indicou que “na região desportiva de Santiago Sul, a final da Taça 2015/2016 foi disputada também no início da época seguinte (2016/2017), e na ilha do Sal, a associação regional tem previsto, como primeiro jogo da época que se avizinha, a final da Taça Djadsal, que ficou por jogar na época passada”.

O presidente acredita, portanto, que “o Onze Estrelas tem todas as condições e argumentos para a realizar a final da Taça Bubista referente à época anterior”, e que se “optar pelo contrário lesará, injusta e injustificadamente, os dois clubes finalistas”.

“A atitude e actuação da direcção da ARFBV pauta-se, literalmente, pelo “quero, posso e mando”, mas fá-lo com um estranho silêncio e conivência de alguns clubes, e igualmente, porque funciona com preocupantes deficiências organizacionais e de gestão, de que são exemplo a inexistência de atas das reuniões e a informalidade com se relacionam com os clubes”, acusou.

O presidente do Onze Estrelas Clube de Bofareira entende que “neste momento, o estado de alma, desde os dirigentes aos jogadores espelha uma profunda mágoa e desmotivação”, sugerindo ainda que “a direcção da ARFBV ainda vai a tempo, contudo, de reverter e rectificar esse quadro”.

VD /JMV

Inforpress

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