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Boa Vista: Biólogo diz que sem provas não se pode relacionar os números de apanha e nidificação das tartarugas com a pandemia

Sal Rei, 29 Jul (Inforpress) – O biólogo Samir Martins considerou que não se pode estar a relacionar os números de apanha e o aumento da nidificação das tartarugas com a pandemia do novo coronavírus, sem haver provas que justifiquem estas quantificações.

Samir Martins, que trabalha na ilha da Boa Vista na ONG ambiental Bios.cv, fez estas afirmações em entrevista à Inforpress, para falar sobre a época da desova de tartaruga na praia de João Barbosa, que teve início em Junho.

O biólogo afirmou que é “um desafio” contabilizar as apanhas de tartaruga, por um lado, e, por outro, não se consegue também saber, com precisão, se antes havia maior apanha do que hoje.

Isto porque, segundo explicou, pelo facto de haver maior quantidade da população de tartarugas nas praias, que faz com que, provavelmente, as pessoas tenham mais acesso a este animal marinho.

Samir Martins indicou um outro factor que se deve levar em conta, a sensibilização, que já surte algum efeito no comportamento das pessoas, levando-as a denunciarem e a ligarem para as associações, ou partilhando os casos de apanha nas redes sociais.

Segundo a mesma fonte, todas estas situação contribuem para que se tenha a percepção de que a apanha das tartarugas seja maior que anos anteriores, sublinhando ainda formas precisas de quantificar a apanha de tartarugas.

Logo, pontificou, “não se consegue fazer e falar desta quantificação, sem ter a certeza dos dados”.

A título de exemplo, contou que um rapaz, durante a sua caminhada matinal, encontrou uma tartaruga escondida na areia, num lugar recôndito, sublinhando que, “certamente, o prevaricador viria numa outra altura buscar a sua presas”, adiantando que o mesmo indivíduo salvou a tartaruga, reencaminhando-a para mar, ao mesmo tempo que deu a conhecer o feito no faceboock.

“Este tipo de apanha, com esta estratégia de os esconder, faz com que as equipas de protecção tenham mais dificuldades no trabalho de vigilância, porque se pode estar num lado da praia, e o apanhador ir para outro lado fazer apanha e esconder as presas para vir buscá-las mais tarde”, explicou Samir, destacando o conhecimento dos apanhadores tanto do trabalho das ONG, assim como do litoral das praias, o que os ajuda de certa forma a driblar as equipas de patrulha.

Conforme Samir, há ainda a tendência de associar o número da apanha das tartarugas nas praias com a pandemia.
Explicou que “dificilmente” quem esteja no desemprego vai à beira mar apanhar uma tartaruga. Para este biólogo, talvez sejam as mesmas pessoas que têm estes hábitos que andam a praticar este mesmo crime.

“Sem haver uma prova que justifique, as pessoas não podem estar a relacionar o número de apanha de tartaruga com a pandemia”, sublinhou Samir.

Relembrou que este ano, as ONG optaram por contratar pessoas que se encontram no desemprego para ajudar nos trabalhos, e fazer com que elas tenham algum sustento.

Outra observação de Samir há ainda a tendência de se comparar o facto de haver este ano grande número de actividade da desova desses animais com os ganhos ambientais que a planeta teve com a pandemia.

O responsável afirmou que em conversa com os colegas de outras ilhas, este é um “bom ano” em termos de desova, “melhor do que os anos de 2018 e 2019”.

“A primeira coisa, temos que excluir qualquer efeito de coronavírus, que há esta tendência de estar a relacionar os efeitos dos ganhos ambientais por causa do coronavírus com a apanha da tartaruga”, reiterou.

Samir explicou que as hipóteses para estes aumentos, que podem fazer sentido, são frutos do trabalho de conservação da espécie, que aconteceu há mais de vinte anos, os ciclos naturais de vida desses mesmos animais, ou então, a zona de alimentação, na costa da África, que favorece o recrutamento.

“Há que se fazer alguns modelos matemáticos para ver se há uma tendência de aumento ou se é apenas o factor ecológico, com base em alimentos disponíveis nesta zona de costa de África”, disse Samir, relembrando a conservação e a protecção que começaram há mais de 20 anos, com o salvamento das fêmeas e de mais ninhos.

Isto, contou, fez com que mais tartarugas fossem para a água, logo aumentou as chances de sobrevivência das tartarugas protegidas na altura e hoje se encontram em idade adulta, com as suas primeiras crias.

“A nossa estratégia é a de sempre, a educação ambiental, a sensibilização e tentar reforçar a vigilância”, garantiu, assegurando que a campanha segue todas as condições sanitárias necessárias, envolvendo 22 voluntários, mas excluiu as habituais excursões, por carecer da autorização do Ministério do Ambiente.

O biólogo Samir Martins pediu que todos continuem a denunciar a apanha da tartarugas, que é infracção, recordando que a comercialização, transporte e consumo da carne também constitui crime.

“As pessoas têm de levar em conta que se está a cometer uma acto que é um crime, além do mal ambiental que fazem com este tipo de comportamento. Por isso, é bom que as pessoas não apanham as tartarugas”, concluiu.

VD/JMV

Inforpress/Fim

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