Boa Vista: Autarca atesta que a ilha deveria ser contemplada com medidas do Governo para mitigação do mau ano agrícola

Sal Rei, 17 Fev (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal da Boa Vista considera que Boa Vista deveria ser contemplada com as medidas do Governo que declarou estado de calamidade em 18 dos 22 concelhos do País mais afectados pelos resultados do ano agrícola de 2021/2022.

O edil da ilha da Boa Vista fez esta observação aos meios de comunicação social, reagindo à resolução publicada no Boletim Oficial, que declara situação de calamidade a 18 concelhos do País mais acfetados pelos resultados do ano agrícola de 2021/2022, derivada pelo fenómeno da seca e relacionado com a gestão de risco e segurança alimentar em que a ilha da Boa Vista não foi contemplada.

“Consideramos que as medidas que foram tomadas não combinam com a situação real da Boa Vista, do ponto de vista do mau ano agrícola, e de falta de produção agrícola na ilha”, declarou, observando que apesar das condições da ilha para prática da agricultura, por falta de chuva nos últimos anos consecutivos resultou na falta de produção agrícola e de pastos.

Cláudio Mendonça justificou que, perante esta situação da ilha da Boa Vista e se a medida foi tomada do ponto de vista para resolver o défice de produção agrícola, ao seu ver, seria justo que Boa Vista fosse também contemplada com as medidas do Governo.

“A situação na ilha é deveras preocupante do ponto de vista agrícola e de produção de pastos, tanto da produção de sequeiro como de regadio”, sublinhou, reiterando que se as medidas introduzidas pelo Governo para mitigar os efeitos para as famílias afectadas terem um rendimento, a ilha merecia constar nas medidas.

O edil ajuntou ainda que acredita que a ilha da Boa Vista merece este apoio não somente pela falta de chuvas, mas também pelo facto de ter sido a ilha que mais ficou prejudicada com a crise pandémica.

O autarca entende que há dupla situação que coloca Boa Vista em risco ou próprio em termos de calamidade, relembrando também que, em 2021, solicitou ao Governo uma discriminação positiva por causa da falta de chuva e dos efeitos da covid-19, mas que nunca obteve respostas.

“E hoje esta medida, na resolução consta que Boa Vista não foi contemplada do ponto de vista de resolver problemas de família. Para nós é uma medida mal acertada (…) , afirmou, indicando que a autarquia local esteve recentemente nos povoados para em contato com a população interagir com agricultores e criadores de gado para ver efetivamente o real problema no terreno.

Sobre as recentes visitas aos povoados, o edil contou que os agricultores indicaram como os principais problemas a falta de água, poços vazios e má qualidade de água. E quanto aos criadores, disse que estes reclamam a falta de pastos, ração e preços exagerados de milho e ração de milho irregular na ilha.

Afora estes problemas, frisou que os criadores enfrentam ainda o problema de transporte que acaba por juntar-se às dificuldades de ataques de cães aos animais, sobretudo caprinos.

Para o edil é com surpresa que vê que quando alguma estratégia está a ser tomada para mitigar alguns efeitos, a ilha da Boa Vista, que mais tem problema, segundo o edil, não é contemplada.

Perante estes problemas, o presidente da Câmara da Boa Vista apelou a uma maior “assistência, engajamento e aproximação” por parte do Ministério da Agricultura, principalmente da delegação local, para dar aos agricultores e criadores de gado uma orientação, organização para melhoria das suas produções.

VD/JMV

Inforpress

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