Boa Vista: Artistas e promotores de eventos protestam nas ruas e dizem estar a enfrentar dias difíceis (c/áudio)

Sal Rei, 14 Dez (Inforpress) – Artistas ligados a vários sectores da cultura manifestaram-se hoje na cidade de Sal Rei, reclamando o direito ao trabalho e a atenção do Estado, devido a pandemia da covid-19, depois de vários meses em inactividade.

Dezenas de profissionais ligadas à cultura, vestidas de preto em sinal de luto, e de cartazes em punho, concentram-se hoje na Praia D´diante, onde colocaram os materiais, instrumentos e equipamentos de som em cima da ponte, à frente de Té Manché,  para de forma simbólica mostrarem a “estagnação”  da cultura,  que acontece há cerca de dez meses.

Percly Lima, organizador da manifestação na Boa Vista, observou que foram criadas condições para outras instituições, restaurantes e bares trabalharem, mas que o mesmo não aconteceu com os profissionais da cultura.

“Para os promotores culturais não foi criado nada. Se formos ver, quase todos os profissionais ligados ao som têm investimentos nesta área, mas todos estão parados. Além do mais, não há nada para regularizar a forma como nós trabalharmos”, considerou este produtor de eventos, que almeja sensibilizar as autoridades responsáveis e o Governo para criar condições para a classe artística trabalhar.

José Lima “Piriquito”, outro produtor de eventos, partilha também da opinião de que a cultura está “estagnada, sem produção de rendimentos”, e que, entretanto, “há restaurantes e bares a funcionar normalmente”.

Com “avultados investimentos” em equipamento de som e gravação, este manifestante contou que esses materiais se encontram, entretanto, fechados em armazéns”, assegurando “que não consegue trabalhar porque não há forma para tal”.

“Não conseguimos trabalhar porque acham que criamos aglomeração de pessoas. Precisamos trabalhar, eu no meu caso tenho materiais fechados na garagem, não temos forma de trabalhar, de viver. É complicado”, exclamou, descrevendo de “difícil” a situação vivida juntamente com o staff que com ele trabalha.

Adiantando que a sua equipa tem responsabilidades com o sustento da familiar, José Lima indicou que alguns dos colegas que não conseguem nenhum rendimento, uma vez que todas as actividades do sector estão paradas.

“A vida dos artistas na ilha da Boa Vista tem sido complicada porque realmente há artistas que vivem somente desta profissão, desta arte que é música”, disse o cantor Rolando da Graça, indicando que “há que existir solidariedade entre os artistas” e mesmo entre os que têm outros empregos ou ofícios.

Ainda segundo frisou “Djugan”, os artistas estão a passar por momentos complicados”, daí lançou um apelo aos governantes no sentido de prestarem uma melhor atenção a esta classe profissional”, reiterando que “os artistas chegaram ao seu limite”.

 

VD/JMV
Inforpress

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