Boa Vista:  Artesãos que participaram na URDI apelam a compras de peças tradicionais para prendas natalícias  

Sal Rei, 29 Nov (Inforpress) – Quatro artesãos boavistenses que participam na quinta edição da Feira do Artesanato e Design de Cabo Verde (URDI), na Boa Vista, sugeriram a aquisição de peças do artesanato tradicional para prendas de natal.

“Essa seria uma forma de ajudar a economia local”, disseram os artesãos boa-vistenses durante uma ronda que a Inforpress fez aos ateliês e locais de venda desses artesãos, três dos quatro participantes, Maria Andrade, Alcides Morais, Luísa Mosso, na localidade de Rabil, e João Ramos Brito, em Povoação Velha.

Isto porque apesar das actividades da Feira do Artesanato e do Design de Cabo Verde (Urdi) encerrar hoje, estes artesãos continuam as vendas e a divulgação das suas artes nos seus locais de trabalho e exposição.

Na zona de Riba Rotcha, a artesã Maria Andrade tem na loja uma variedade de peças feitas de barro a começar por utensílios como cinzeiros, copos, saboneteiras, bindes de cuscuz.

“É tudo feito à mão e, seguindo a minha imaginação, vou moldando as peças conforme vão surgindo ideias”, afirmou a artesã, sublinhando que as peças de olaria são confeccionadas e cozidas de modo tradicional e polidas com o auxílio de uma pedra.

Apesar de lamentar que este ano, devido a covid-19, não tenha podido partilhar experiências com outros artesãos do país, considerou que esta foi mais uma oportunidade de divulgar a sua capacidade de trabalho.

Por isso, a artesã disse-se orgulhosa de ter participado na URDI e que sempre vai incentivar outros colegas marcar presença na feira.

Maria Andrade, que outrora vendia muitas das suas peças para os turistas que visitavam a ilha, não vê isto como um impasse no escoamento dos produtos, pois, conforme disse, contorna este obstáculo e na loja, às peças de barros adiciona outros objectos confeccionados com tecido africano, como bolsas, conjuntos para cozinha e para quarto.

Maria Andrade espera continuar a receber, na sua loja, visitas de nacionais que “poderão escolher nesta variedade de objectos tradicionais, peças para fazer prendas na época natalícia”.

Na mesma localidade, em Rabil, mais junto à praça ‘4 de Maio’, Alcides Morais tem aberto o ateliê para expor os moringues, potes, peças pequenas como tartaruguinhas, todas feitas em barro, num trabalho que há 26 anos fez a sua profissão.

“Espero continuar a ter sempre visitas e embora ainda não tenha inaugurado oficialmente o meu ateliê, ficarei igualmente contente mesmo que as pessoas não façam grandes compras. Se cada pessoa que vier cá apreciar o meu trabalho o divulgar para outros possíveis visitantes, já seria bom”, disse o artesão que continuou a moldar uma sereia de barro com destreza manual e habilidade, readaptando ao seu jeito as técnicas que apreendeu desde os dezasseis anos.

Junto à rotunda do ‘kabrer’, ainda na zona do aeroporto, Luísa Mosso expõe na sua casa, entre outros objectos, vasos para plantas, moringues, suportes para velas de cheiro.

“Esta nova modalidade da feira não facilitou muito”, considerou a artesã ao mesmo tempo que arrumava uma peça única, um suporte para colocar plantas adaptada com corda de sisal.

Luísa Mosso disse que é a primeira vez que confecciona este objecto e que, por isso, espera aparecer algum comprador para que continue a multiplicar a peça, normalmente muito procurada por donas de casa.

“Há ainda peças para colocar velas de cheiro. São peças novas, temos que evoluir na vida. Não temos que nos estagnar na confecção somente de uma peça. Comecei a fazer bindes e potes que aprendi com a minha mãe, mas temos que apreender coisas novas na vida”, sugeriu relembrando “a camaradagem que proporciona a troca de ideias, de experiências e de técnicas novas, aquando da feira presencial na ilha de São Vicente”.

Luísa Mosso que continuou a arrumar as tartaruguinhas feitas em barro, manifestou-se esperançosa de dias melhores, para o próximo ano, e aproveitou também para sugerir o que é tradicional para prendas para os familiares.

Na localidade de Povoação Velha fomos encontrar o artesão João Ramos Brito que preparava as folhas de tamareira para fazer os tradicionais chapéus, outrora usados por pastores da ilha.

Actualmente o artesão disse que adaptou estes chapéus para o uso comum, num trabalho aprimorado com fitas e pala, e outros toques para os modernizar, tornando-os mais apreciados tanto por turistas como por nacionais que os encomendam.

João Brito, que apreendeu este ofício com o pai, disse que está sempre em sua casa na pequena localidade de Povoação Velha, pronto para fazer chapéus para os clientes que queiram adquirir o tradicional com um requinte moderno.

“Peço a Deus todos os dias para ultrapassarmos esta fase da vida para que as coisas melhorem para o bem de todos. Porque ultimamente vivo não só desta arte mas também de música que toco para os turistas que passam por aqui”, concluiu.

Os quatro artesãos que participaram na quinta edição da Feira do Artesanato e Design de Cabo Verde (URDI), na Boa Vista, aprenderam os seus ofícios de trabalhar em arte junto dos seus familiares, têm técnicas de trabalho diferentes, mas garantem que são movidas pela fé de dias melhores para que possam voltar a escoar os seus produtos em maior quantidade.

Entretanto aproveitam para apelar “às pessoas a comprarem os objectos tradicionais para colocarem em baixo das árvores de natal, para oferta, no dia que se comemora o nascimento de Jesus Cristo”.

VD/HF

Inforpress

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