Boa Vista: Agentes culturais exigem das autoridades um plano cultural “bem elaborado” para a ilha (c/áudio)

Sal Rei, 16 Jan (Inforpress) – Os agentes culturais das diferentes áreas artísticas exigiram ao ministro da Cultura que, em conjunto com a Câmara Municipal da Boa Vista, deem maior atenção ao sector e elaborem um melhor plano cultural para a ilha.

Os agentes das mais diversas áreas da cultura, presentes hoje num encontro que aconteceu no Centro de Arte e Cultura (CAC) com Abraão Vicente, colocaram várias questões ao governante e foram unânimes em “pedir mais atenção a este sector na ilha da Boa Vista”.

Assim sendo, pediram reconhecimento ao trabalho dos artistas, explicações sobre a regularização e formalização na área musical, diminuição de burocracias para abrir negócios ligadas as industrias criativas.

Almejam ainda apoio para ter formações nas mais diversas áreas da arte, mais investimentos e valorização na área de educação artística, menos burocracia no licenciamento de empresas e tratamento de assuntos legais, e ajuda em apoios e patrocínios nas despesas de grandes eventos culturais.

Os agentes culturais de Boa Vista estão ainda em consenso que “a ilha da Boa Vista precisa de um plano cultural bem elaborado com maior planificação”, assunto que segundo indicam deverá se efectivar entre o poder central, isto é, o Governo, através do Ministério da Cultura, a Câmara Municipal e os próprios fazedores artísticos da ilha.

Vanda Fernandes, que trabalha na área de design e artesanato urbano, trouxe à tona o tema relacionado com espaços para exposição e venda.

É que conforme a designer, a maior parte dos artesãos tem pequenas empresas e ateliês, e dada a situação financeira difícil que enfrentam, muitos perderam os seus espaços. Daí que sugeriu que o Governo juntamente com a Câmara poderá ver lugares bem localizados, para durante algum tempo ajudar os profissionais de arte a suportar a falta de espaços de trabalho.

Reflectindo ainda sobre as dificuldades financeiras, a artesã propôs aos poderes central e local apoios no financiamento, agilizar ou facilitar em termos de burocracia para empréstimos para aquisição de materiais de modo a aproveitar o tempo parado na produção de stock de artesanato para no futuro “estarem mais preparados para quando houver melhores condições no mercado de vendas”.

E a pensar no escoamento dos produtos, no ponto de vista de Vanda Fernandes com o stock se poderá ir atrás das vendas, através de encomendas ‘online’.

Entretanto, neste aspecto apontou como uma das grandes dificuldades, o envio dos produtos pelo correio, e, por isso, manifestou o desejo do Governo ajudar a resolver este impasse, de forma que o despacho funcione bem ou com prioridade para as mercadorias artesanais, e desta forma ajudar os artesãos na saída das suas produções a nível nacional, e para o exterior.

“Na Boa Vista poderíamos ter vendido muitas máscaras, chegando ao ponto de se importar estes equipamentos de protecção do exterior quando há aqui pessoas a fazer este tipo de confecções. Não faz sentido. Poderia se ter feito uma indústria de máscaras nesta altura e fazer muito dinheiro”, considerou Vanda Fernandes, salientando que num futuro dever-se-á investir e apostar mais em indústria têxtil e criativa.

Por outro lado, o produtor de eventos Lamine Rush falou nos custos na requisição de, por vezes, mais de seis agentes policiais para fazer a segurança nos locais de eventos, pelo que pede a chance de debater melhor com as autoridades locais e governantes a análise da possibilidade de trabalhar com seguranças privados.

“Em Boa Vista temos pouco apoio, os patrocínios são fracos (…). Sentimos receio em trazer artistas porque as despesas são muitas”, conferiu o productor que explicou que a estes custos, se adiciona as despesas de cache, estadia e transporte dos artistas e demais despesas do evento, o que faz diminuir a margem de lucro nos eventos.

Já o presidente da Associação de Músicos da Boa Vista (AMBV), Manuel Brito, falou na concorrência que considera “desleal” nos hotéis, referindo-se “a pessoas que vêm de outros países para tocar nestes estabelecimentos turísticos, sem sequer pagar o imposto para trabalhar nesta área em Cabo Verde”.

VD/CP

Inforpress/Fim

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