Bispo do Mindelo emite Carta Pastoral para o ano 2018-19 com família juventude e educação no centro das atenções

Ribeira Grande, 21 Set (Inforpress) – Família, juventude e educação constituem o centro das atenções na Carta Pastoral para o ano 2018-19 hoje divulgada pelo bispo da diocese de Mindelo, D. Ildo Fortes, que aponta a família como “um tesouro da humanidade”.

“A família constitui, na visão da Igreja, um dos pilares fundamentais da sociedade, um dos bens mais preciosos da humanidade’”, escreve o prelado do Mindelo admitindo, contudo, que “na sociedade cabo-verdiana esta realidade atravessa uma profunda crise e, não será ousado dizer que, de certo modo, ela está enferma”.

“Entre as ameaças graves que pairam sobre a família, está a ideologia de género que, desgraçadamente, se está a pensar introduzir no nosso sistema de ensino”, escreve D. Ildo Fortes, considerando que para além de ser “estranha à nossa cultura” e “contrária ao pensamento e à sensibilidade da nossa gente”, está-se diante daquilo a que o Papa Francisco chamou de “demoníaco e diz que é maldade ensinar a ideologia de género às crianças”.

D. Ildo Fortes afirma que “na família humana encontramos, hoje, luzes e sombras” e aponta, por um lado, a existência de uma consciência “mais viva da liberdade pessoal” e uma “maior atenção” à qualidade das relações interpessoais no matrimónio, à promoção da dignidade da mulher, à procriação responsável, à educação dos filhos, bem como a descoberta de novo da missão eclesial própria da família e da sua responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa.

Por outro lado, continua o bispo do Mindelo na Carta Pastoral datada de 15 de Setembro, “não faltam sinais de degradação preocupantes de alguns valores fundamentais”, nomeadamente “uma errada concepção teórica e prática da independência dos cônjuges entre si, as graves ambiguidades acerca da relação de autoridade entre pais e filhos, as dificuldades concretas, que a família muitas vezes experimenta na transmissão dos valores”, entre outras “sombras” que afectam a família.

Neste aspecto realçou o “número crescente dos divórcios, “a praga do aborto”, o recurso cada vez mais frequente à esterilização, a instauração de uma verdadeira e própria mentalidade contraceptiva.

O uso abusivo e excessivo do álcool, a escassez de famílias que levem a sério a educação como missão são outros males para os quais o bispo pede a atenção dos cristãos da Igreja do Mindelo.

“Precisamos urgentemente de famílias que não se demitam da sua missão de amar, servir, educar e formar de modo integral os seus membros”, precisa.

Com a Carta Pastoral hoje divulgada, o bispo do Mindelo dá início a um novo triénio pastoral que terá, sucessivamente, como ponto focal a família, a juventude e a educação, razão porque pede a todas as comunidades paroquiais que “aceitem o desafio de ajudar a emergir no seu seio, famílias cristãs sólidas, imbuídas do espírito evangélico e de valores humanos, capaz de edificar a sociedade em qualquer lugar” tendo em conta que, para este ano, o foco é na família.

D. Ildo Fortes manifesta-se satisfeito por ver crescer “em quase todas as ilhas os movimentos que estão ao serviço do bem comum da família e do seu crescimento humano e espiritual”, nomeadamente, as Equipas de Nossa Senhora, a Fraternidade Jesus Maria José e a Comunidade Emanuel, entre outros, e pede-lhes que contribuam “para a dinamização duma pastoral renovada da família”.

HF/AA

Inforpress/Fim

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