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Biosfera suspende actividades no ilhéu Raso devido a alegadas ameaças de pescadores

Mindelo, 04 Jun (Inforpress) – A Associação ambientalista Biosfera I anunciou hoje que pretende suspender, a partir de 15 de Junho, todas as suas actividades de conservação e pesquisa da biodiversidade na Reserva Integral do Ilhéu Raso.

Através de uma nota assinada pelo presidente Tommy Melo, a que a Inforpress teve acesso, a Biosfera I, que actua há 16 anos nesse ilhéu, revela que na base desta decisão estão “ameaças de morte” que os seus colaboradores têm sofrido, face à inércia das autoridades.

Segundo Tommy Melo, apesar de todos os esforços para assegurar a conservação da fauna do ilhéu Raso, a equipa da Biosfera tem sido constantemente ameaçada por “grupos de jovens que encorajam a depredação insustentável e ilegal dos recursos marinhos na área do ilhéu Raso, colocando em risco o equilíbrio extremamente vulnerável do ecossistema”

“Estes grupos de jovens, oriundos de diferentes ilhas (Santo Antão, São Nicolau e São Vicente) são particularmente agressivos, ameaçadores e não respeitam os recursos como fazem os pescadores ansiosos por continuar a sua actividade no futuro”, diz o comunicado da Biosfera que revelou ainda que “tem alertado repetidamente as autoridades para estas infracções e entregou um abaixo-assinado da parte dos pescadores artesanais, que operam na zona, rogando às autoridades que ponham cobro à situação”.

Para o responsável, uma das soluções seria desmobilizar os pescadores do ilhéu Raso e atraí-los para a ilha vizinha de Santa Luzia, uma reserva marinha, também sem plano de gestão, mas cujo estatuto prevê a possibilidade de ter instalações não permanentes de pescadores que exercem a sua actividade na zona.

Explicou que o projecto consistia em “criar estas instalações em Santa Luzia e em garantir condições mínimas de higiene e bem-estar”.

Revelou ainda que “os pescadores aceitaram abandonar os acampamentos do ilhéu Raso mas, apesar de a Biosfera ter conseguido mobilizar fundos para concretizar este objectivo, que seria benéfico para os pescadores e para o ambiente, o Ministério do Ambiente recusou-se a autorizar a sua implementação”.

Por causa disso, adiantou no mesmo documento, a Biosfera continuou a ver a depredação diária do Ilhéu Raso, enquanto os pescadores artesanais, perdiam assim um dos seus melhores territórios de faina.

“Apesar de já termos feito denúncias de todas as formas possíveis, as autoridades continuam acomodadas enquanto neste momento, e com o crescente tom de ameaças de morte, a nossa equipa sente-se desamparada e claramente ameaçada no seu trabalho diário de protecção deste importante património natural”, lê-se na nota que vinca o facto de as ameaças dos grupos terem aumentado de tom nos últimos anos.

Em jeito de remate, a associação ambientalista defendeu ainda que, “embora o Governo tenha assinado muitos acordos e convenções internacionais para a protecção do meio ambiente, hoje a Biosfera, lamentavelmente, considera que os esforços em termos de lobby e advocacia empreendidos a nível nacional são ineficazes e infrutíferos perante as autoridades competentes que contradizem as suas posturas e políticas e seus compromissos internacionais”.

CD/HF

Inforpress/Fim

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