Bengala Branca é pouco utilizada em Cabo Verde devido a barreiras arquitectónicas e culturais, disse presidente da ADEVIC

 

Cidade da Praia, 11 Out (Inforpress) – O presidente da Associação de Deficientes Visuais de Cabo Verde (ADEVIC) afirmou hoje que no país a bengala branca é pouco utilizada e justificou esta resistência com as “barreiras” existentes nas ruas e na cabeça do invisual.

Marciano Monteiro fez essa consideração em declarações à Inforpress, a propósito do Dia da Bengala Branca, símbolo da independência dos invisuais, a ser assinalado domingo, 15, com um conjunto de actividades que visam sensibilizar a sociedade civil sobre a problemática das pessoas com deficiência visual.

“Uma das barreiras mais criticadas pelo pouco uso deste instrumento é a arquitectónica, mas a sua pouca utilização tem, também, a ver com os preconceitos existentes na mente das pessoas. Tudo isso impede a utilização da bengala na sua plenitude na nossa cidade”, disse.

Marciano Monteiro, que reconhece alguns avanços na utilização deste instrumento de acessibilidade, é de opinião que para melhorar a qualidade de vida, as pessoas cegas precisam desenvolver competências para a sua integração social, com actividades físicas e lúdicas, de forma a desenvolver a orientação, a coordenação motora e a mobilidade.

A aprendizagem das formas de deslocação na cidade e nos transportes públicos e a utilização correcta da bengala, segundo o presidente da ADEVIC, é essencial para que os invisuais se habituem à vida de outra maneira.

A data, que tem como objectivo reconhecer a independência das pessoas com deficiência visual, bem como a plena participação na sociedade e a sua autonomia no dia-a-dia, é, no ponto de vista de Marciano Monteiro, uma forma de admitir que a Bengala Branca é fundamental para à questão de acessibilidade.

Por isso, para assinalar o dia, a ADEVIC preparou uma agenda de actividades, cujo o ponto alto é uma marcha de pessoas com deficiência visual e sem deficiência visual, com uso da bengala branca, a ter lugar sexta-feira, 13, na Rua Pedonal e com trajectória Papelaria Académica/Praça Alexandre Albuquerque.

No mesmo dia, está prevista, no Paços do Concelho da CMP, a assinatura de um protocolo entre a ADEVIC e a autarquia do Tarrafal de Santiago e sessão cultural com batucadeiras de ADEVIC e actuação Cote (Ferro e Gaita).

Para domingo, 15, está prevista a realização e um convívio desportivo, no estádio municipal de Achada São Filipe, partida de atletismo para pessoas com deficiência visual, jogos de Golboal entre pessoas com deficiência e sem deficiência visual e uma partida de futebol entre os agentes da Esquadra Policial de São Filipe e os Amigos de Djonga.

O acto central das comemorações será realizado segunda-feira, 16, na sede da ADEVIC, em Achada São Filipe, com sessões culturais, assinatura de um protocolo com a CVtelecom e uma palestra subordinada ao tema “Barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência visual, no exercício dos seus direitos de voto”.

A bengala branca é um instrumento de acessibilidade utilizado por invisuais e que foi usado por James Biggs, fotógrafo de Bristol, em Inglaterra, que ficou cego depois de um acidente.

James Biggs, incomodado com o trânsito em frente de sua casa, pintou a sua bengala de branco para se tornar mais visível. Hoje, a bengala branca é amplamente aceite como “símbolo da cegueira”.

O Dia da bengala Branca foi estabelecido pela Federação Internacional de Cegos, em 1970, e tem como objectivo reconhecer a independência das pessoas cegas e a sua plena participação na sociedade.

PC/JMV
Inforpress/fim

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