BCV prevê sinais de recuperação da actividade económica em Cabo Verde entre 3,5 a 4,5 por cento em 2018

Cidade da Praia, 17 Abr (Inforpress) – As projecções do Relatório de Política Monetária do Banco de Cabo Verde (BCV), divulgadas hoje, prevêem sinais de recuperação da actividade económica em Cabo Verde entre 3,5 e 4,5 por cento em 2018.

De acordo com as projecções do BCV, esta perspectiva do crescimento real do produto interno bruto, acontece depois de ter crescido perto de 4% nos últimos dois anos, ou seja, o “ritmo mais acelerado desde 2011”, conforme a instituições, sem esquecer a “significativa recuperação do investimento directo estrangeiro” e o aumento mais acelerado das despesas orçamentais.

O banco central justifica que os efeitos desfasados de um crescimento maior que o antecipado do crédito à economia em 2017 e o cenário de uma performance melhor que a perspectivada em Setembro de 2017 do contexto externo, levaram a uma actualização em alta das expectativas do crescimento económico para 2018.

O relatório revelou que a formação bruta de capital fixo deverá sustentar em larga medida o crescimento em 2018, traduzindo as expectativas de um crescimento mais acelerado tanto do investimento privado como do investimento público, sendo que o consumo público deverá crescer a um ritmo mais acelerado, suportado pelo aumento da massa salarial e pelas perspectivas de maior aquisição de bens e serviços a terceiros.

Segundo a mesma fonte, o consumo privado, depois de ter crescido em 2017 no ritmo mais acelerado dos últimos 18 anos, deverá desacelerar em 2018, também determinado pelas perspectivas de contínua redução das remessas dos emigrantes e aumento das pressões inflacionistas.

O Relatório de Política Monetária sublinhou, ainda, que as exportações de bens e serviços deverão crescer num ritmo menos acelerado em 2018, reflectindo o efeito de base do significativo aumento registado em 2017, contudo, as expectativas são positivas quanto à dinâmica das exportações de transportes aéreos.

Por outro lado, indicou que a economia cabo-verdiana deverá continuar a evidenciar necessidade de financiamento em 2018, em função da perspectiva de aumento do défice da balança corrente.

Entretanto, afiançou que o aumento do défice da balança financeira, traduzindo em larga medida as perspectivas de aumento do investimento directo estrangeiro e dos desembolsos da dívida externa pública, deverá “mais que compensar” as necessidades de financiamento da economia em 2018.

Essa realidade vai resultar num aumento das reservas internacionais líquidas do país em 12 milhões de euros, passando a garantir 5,6 meses de importações de bens e serviços projectadas para 2018.

O BCV apontou, também, que os preços no consumidor deverão crescer num ritmo mais acelerado em 2018, devendo a inflação média anual se situar no intervalo de 1,75 e 2,75 por cento, depois de ter acelerado 2,2 pontos percentuais em 2017, ano em que se fixou em 0,8 por cento.

“Com o fortalecimento da economia, considerando o comportamento recente e os riscos à evolução das remessas e dos depósitos dos emigrantes, que constituem o principal funding dos bancos, a autoridade monetária deverá orientar-se por uma política prudente e neutra em 2018, na expectativa que as pressões inflacionistas e sobre as reservas internacionais líquidas permaneçam contidas”, lê-se no relatório.

DR/JMV

Inforpress/Fim

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