BCV mantém taxas de juro de referência até final do ano apesar do aumento da inflação

Cidade da Praia, 06 Mai (Inforpress) – O Banco de Cabo Verde (BCV) decidiu manter as taxas de juro de referência até finais de 2022, apesar da previsão do aumento da inflação para 7,3% e da tendência de aumento dos juros em outras paragens.

Em conferência de imprensa hoje, na Cidade da Praia, para a apresentação do relatório da política monetária dos últimos seis meses, o governador do BCV, Óscar Santos, reconheceu que em situação de aumento da inflação os bancos centrais devem apertar as condições monetárias, subindo as taxas de juro.

Entretanto, explicou que a decisão de manter inalteradas as taxas durante 2022 se deve ao facto da pressão inflacionista não estar relacionada com a “inflação monetária” e também pelo facto do país estar a viver situações excepcionais.

“A pressão inflacionista que se vive neste momento tem a ver com a questão do conflito armado, que tem impacto sobre os preços das matérias-primas, sobretudo energia e também os produtos alimentares. Portanto, não se está perante uma situação de inflação monetária”, disse.

Perante este facto, Óscar Santos acrescentou que os bancos centrais a nível mundial têm tido comportamentos diferentes.

“Enquanto a reserva federal dos EUA aumentou ontem a taxa de juros em 50 pontos base, que foi o maior aumento dos últimos 40 anos, o Banco Central Europeu, que é o banco que nós seguimos de perto, ainda está indeciso e não se sabe se vai aumentar ou não a taxa de juros, tendo em conta todo o contexto externo”, disse.

Óscar Santos adiantou que neste cenário de incerteza, o mais importante é criar as condições para que as empresas possam financiar-se na banca a taxas baixas.

“Aqui nós temos a questão de tentar aguentar a retoma da economia em primeiro plano e, em Cabo Verde, apesar de projectarmos a inflação à volta de 7% para o final do ano, nós sabemos que não é inflação no campo monetário. Trata-se de constrangimentos da oferta que cedo ou tarde podem ser resolvidos”, disse.

“Portanto, o banco central tem de ser prudente. É pessimista, mas não pode tomar medidas sem ter elementos claros para aumentar as taxas de juro. Normalmente, se estivéssemos numa situação normal, em que há aumento da inflação, os bancos centrais devem apertar as condições monetárias, subindo as taxas de juro, mas estando em épocas excepcionais, os bancos têm de tomar medidas excepcionais”, sustentou.

O objectivo é de manter-se como elemento transmissor de confiança aos agentes económicos, funcionando como um complemento ao conjunto de medidas adoptadas pelas autoridades nacionais, numa conjuntura particularmente desafiante para o país.

Assim, a taxa directora mantém-se nos 0,25%, a taxa de facilidade permanente de cedência de liquidez em 0,50%, a taxa de facilidade de absorção de liquidez em 0,05%, a taxa de operação monetária de financiamento de longo prazo em 0,75%, o coeficiente das disponibilidades mínimas de caixa a 10% e a taxa de redesconto em 1%.

O BCV decidiu igualmente manter até 31 de Dezembro de 2022, o actual programa de financiamento de longo prazo, através da Operação Monetária de Financiamento (OMF), com a maturidade máxima de três anos, com condições especiais de financiamento à taxa de juro de 0,75 %.

Entretanto, optou pela redução do montante de colocação mensal de 1.500 para 1.300 milhões de escudos, visando a adaptação do programa às condições da procura por parte das instituições bancárias.

Por outro lado, as moratórias ao serviço de crédito bancário (exclusivamente, de capital), bem como as medidas prudenciais actualizadas recentemente pelo banco central continuarão nos próximos seis meses, até 31 de Setembro de 2022.

MJB/CP

Inforpress/fim

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