Ribeira Grande de Santiago: PAICV e MpD divergem quanto à forma de governação da autarquia mas afluem-se com projectos implementados

Cidade Velha, 31 Jan (Inforpress) – Os líderes das bancadas municipais Franklin Ramos (PAICV oposição) e Nilton Livramento (MpD no poder) divergiram-se hoje na partilha de visão quanto à forma de governação da autarquia local, mas afluem-se com projectos implementados para o desenvolvimento do município.

Estas leituras foram feitas pelos líderes da bancada PAICV e do MpD na sessão solene que decorreu, esta tarde, no centro Cultural de Cidade Velha, no âmbito do Dia do Município da Ribeira Grande de Santiago, que se assinala hoje, 31 de Janeiro.

No seu discurso, Franklin Ramos começou por saudar os ribeira-grandenses pelo contributo dado m prol do concelho, destacando que a “ vontade de todos é com certeza ter um município desenvolvido e de progresso” e com “uma economia dinâmica que permita a que todos vivam com melhor qualidade de vida”.

Franklin Ramos salientou, entretanto, que as potencialidades do concelho nos sectores da agropecuária, pesca, agricultura e, sobretudo, no turismo, não estão a ser bem exploradas, vincando que se isso acontecesse todos teriam ganhos.

Neste sentido, defendeu que “ é fundamental a participação de todos “, para que o município “possa aproveitar, com sucesso”, as oportunidades que as referidas potencialidades oferecem, e apelou às autoridades centrais e locais a abrirem espaços para que todos, à medida das suas capacidades, darem o seu contributo.

Lembrou que, a poucos meses do fim do mandato, é momento que, “de uma forma séria e responsável”, todos reflectissem sobre a actuação dos dois órgãos autárquicos, sublinhando que a sua chamada de atenção se deve a algumas perturbações que aconteceram durante o presente mandato e que não podiam ter lugar num estado de direito democrático.

“Referimos ao desentendimento que levou a desprofissionalização de um vereador e a retirada de pelouro a um outro. A substituição, de forma inaceitável de um eleito municipal, impedindo-o de participar na sessão de Assembleia Municipal, foi a gota de água, pelo que lembramos que a democracia é bonita e tem regras que devem ser cumpridas”, realçou.

A par isso, manifestou a satisfação da bancada do PAICV com projectos implementados e que vem sendo implementados, apesar de reconhecer que o município, no presente momento, deveria estar num outro patamar de desenvolvimento.

Por sua vez, o líder da bancada do Movimento para a Democracia (MpD), Nilton Livramento, lembrou na sua comunicação que comemorar o dia do Município da Ribeira Grande de Santiago deve ser “um momento de exercício de consciência e dever de cidadania para reflectir sobre o passado, avaliar o presente e contribuir para o futuro”.

“Neste dia, celebramos a fundação do nosso município, onde se começou a delinear Cabo Verde, onde as raízes da nossa história se fundem. A Ribeira Grande de Santiago é um concelho cheio e história e simbolismos, é um concelho onde o futuro em cada momento acontece”, disse.

Nilton Livramento aproveitou o momento para apelar a união de todos, por entender que o trabalho diário de todos será a maior riqueza do concelho.

Nesta perspectivas, o eleito municipal defendeu que o dia deve também servir para evocar o esforço de todos, “homens e mulheres”, em prol do concelho.

Reconheceu que o momento que se vive “é difícil”, uma vez que o arquipélago, ajuntou, passa por condições socioeconómicas próprias de um país parco em recursos.

Acrescentou que a obrigação de todos é estarem desperto para essas realidades e promover as parcerias, para que nenhum cidadão fique para trás.

“A protecção e o apoio social será sempre o nosso desafio e a nossa bancada sempre esteve pronta para deste desafio, apoiando o presidente e a sua vereação. Aos mais jovens, queremos deixar uma palavra de alento e confiança, pois, o futuro do concelho é vosso, e a inovação, educação e o bem-estar social devem ser uma prioridade”, defendeu.

Quanto à reclamação do colega do PAICV alegou que a “história não foi bem contada”, sublinhando que o deputado José Maria Sena evocou interesses pessoais e familiares para chumbar o orçamento municipal.

A bancada do MpD, sustentou, depois de uma análise, evocou o artigo 52º dos Estatutos do município, para impedir a participação do deputado na discussão e aprovação, nos termos da lei.

“É falso passar a imagem de que nós desrespeitamos o estado de direito democrático. Nós nos pautamos pelo princípio da legalidade”, concluiu.

PC/JMV
Inforpress/Fim

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