Bailarino Nuno Barreto diz  que é necessário motivar jovens para continuiar evolução da dança contemporânea

Cidade da Praia, 29 Abr (Inforpress) – O bailarino e intérprete da Companhia de Dança Raiz di Polon Nuno Barreto defendeu hoje que é preciso motivar os jovens para que a dança contemporânea continue a evoluir e ganhe “a sua emancipação”.

Nuno Barreto falava à Inforpress no âmbito da celebração do Dia Internacional da Dança, assinalado hoje, pelo Simbrom Produson, com o evento “ Cabo Verde Dança”, que visa a realização de performance de vários dançarinos da Cidade da Praia.

Aos 24 anos, Nuno Barreto procurou envolver-se no mundo da dança, participando em aulas e workshops com bailarinos estrangeiros, e até fez assistência de cenografia com o bailarino, coreografo e fundador do Raiz di Polon, Manu Preto.

Conforme disse, no “momento certo e na altura certa” recebeu o convite para fazer parte da Companhia de Dança Raiz di Polon.

Volvidos 14 anos, este considerou que ganhou “muita experiência”, mas que, como o aprendizado é diário, continua ainda a trabalhar para aperfeiçoar a arte de usar o corpo.

“Obtive resultados positivos através dos meus esforços, das minhas pesquisas e de participação variados e de encontros com outros bailarinos e artistas. Tudo o que fazemos com amor, com coração e com vontade e entregamos a nossa alma conseguiremos resultados positivos”, enfatizou.

Questionado sobre o porquê da escolha da dança contemporânea, Nuno Barreto disse que simplesmente não teve opção, ou seja, foi tipo “amor à primeira vista”, porque a partir do momento que começou a assistir a apresentação do grupo Raiz di Polon identificou-se com este estilo.

“Era a única forma de dançar que me caraterizava e tem tudo a ver comigo porque esta dança é a minha forma de estar na vida”, salientou.

Para a mesma fonte, a dança contemporânea é completo e abrange todos os outros tipos de manifestações, isto é, abarca músicas de ritmos tradicionais (funaná, batuco, tabanca, coladeira) e a partir dali é possível criar os movimentos livres ou movimentos quotidianos e contemporâneos.

A dança, para este bailarino, “é vida, é liberdade, é descomprimir, é soltar-se”, e “sem sombra de dúvida” é algo que “completa a sua vida”.

Como forma de evoluir ainda mais os seus movimentos, Nuno Barreto tem investido em produção de peças a solo, tendo executado, recentemente, a peça “Cisne Preto”.

“Meu objectivo como bailarino é sempre evoluir e criar mais bagagens para trazer dentro do núcleo Raiz di Polon. Este projecto (…) ajudou-me a evoluir cada vez mais, ajudou-me a criar e a amadurecer como bailarino e como coreografo, que ainda não sou, mas estou a começar nessa área, porque o meu objectivo é de partilhar e montar coisas boas que servem tanto para mim como para o país”, ressalvou.

Este bailarino que tem a dança como a sua profissão, disse à Inforpress que a dança pode ser usada como um potencial económico, cultural e turístico de Cabo Verde, caso haja uma aposta forte nesta área.

“Muitos países do mundo têm grandes festivais de dança e estes festivais trazem uma certa condição económico, tanto para bailarinos, como para os promotores e para o país”, referiu.

Este amante da dança que ambiciona ainda ver a dança a emancipar-se e a evoluir-se, disse ainda que o grupo Raiz di Polon, através do seu trabalho no país e no estrangeiro, mostrou que Cabo Verde tem condições de ter festival de dança a dominar as ações culturais no país.

Entretanto, advogou, é preciso mais incentivo e motivação, tendo em conta que toda a arte carece de motivação para que possam evoluir.

Ainda, defendeu, precisam motivar os jovens para que possam dar continuidade aos trabalhos de fazer com que a dança contemporânea mantém-se sempre activa na sociedade cabo-verdiana.

É com este intuito que Nuno Barreto, através da Simbom Produções e em parceria com Patrícia Dis, promove hoje, na Cidade da Praia, o evento “ Cabo Verde Dança”, cuja intensão da organização é torna-la num evento anual.

“Cabo Verde dança pode ser uma grande motivação para um festival de dança no próximo ano, em que poderemos ter a promoção de vídeos de dança, de performances, o Cine-Dança e espetáculos de uma forma mais organizada e talvez com mais companhias de dança nacional e internacional”, ambicionou.

AM

Inforpress/Fim

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