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Auto-censura no jornalismo e na sociedade é “real e grave ” em Cabo Verde – Jorge Tolentino

 

Cidade da Praia, 06 Mai (Inforpress) – O jurista e diplomata Jorge Tolentino considerou hoje que a auto-censura é “algo real e grave” que acontece em Cabo Verde, não só nos jornalistas, mas por toda a sociedade cabo-verdiana, que “é pequena”.

A ideia foi defendida ao apresentar o painel “Liberdade de imprensa, regulação e responsabilização na era do digital e da globalização” no IV Diálogo Estratégico do Instituto Pedro Pires para a Liderança (IPP), que acontece durante todo o dia de hoje, na Cidade da Praia, sobre o tema “Democracia e imprensa livre”.

Ao apresentar o tema no painel que teve como facilitadora a presidente da Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC), Arminda Barros, o antigo governante cabo-verdiano sublinhou que a liberdade de imprensa é uma construção quotidiana, na mesma medida que a democracia, sobretudo, porque não há democracia sem a liberdade de imprensa.

“Uma grande nódoa da comunicação social cabo-verdiana é a auto-censura, que é real e grave e que trespassa toda a sociedade”, afirmou, justificando que tal aconteceu, visto que Cabo Verde é pequeno e onde todas as pessoas se conhecem, mas entendeu que um profissional de comunicação social “deve ser intocável”.

Por outro lado, considerou que os profissionais, gestores e governantes não devem ficar “obcecados com os ratings internacionais” sobre a liberdade de imprensa, precisando que o grande desafio da comunicação social e da sociedade, neste momento, te a ver com a qualidade e a responsabilidade.

“É preciso mais pluralismo e apostar no jornalismo ético, assim como combater o anonimato, algo que desqualifica a comunicação social”, salientou Jorge Tolentino, lembrando quando se dá uma  opinião a pessoa deve-se identificar.

Por sua vez, o jornalista e presidente da Entidade Reguladora da Comunicação Social de Portugal, Carlos Magno, outro orador no painel, frisou que “não existe liberdade de expressão sem expressão da liberdade” e que o jornalismo, incluindo digital, não deve ser exercido por “amadores”.

“O jornalismo deve ser praticado por pessoas cultas e conscientes e não por incultas e inconscientes”, destacou, reconhecendo que com o jornalismo digital muitas coisas mudaram, entretanto que é necessário voltar a dar o poder aos editores, investir na informação, voltar a impor a ordem editorial e evitar a mediocracia.

Já o diplomata e político senegalês Abdoulaye Bathily, também um dos oradores do painel sobre “Liberdade de imprensa, regulação e responsabilização na era do digital e da globalização”, salientou que a regulação é “importante e essencial” para os media, e que Cabo Verde deve lutar para estar no plano oeste africano dos reguladores.

O segundo painel do encontro aborda “Os media perante os poderes político e económico: entre a isenção e o aspecto da manipulação”, proferido pelos oradores Filipe Correia de Sá, jornalista angolano, Pedro Sousa Carvalho, economista e director executivo do jornal português on-line “ECO”, e Rosário da Luz, licenciada em cinema e colunista cabo-verdiana.

O último momento do evento é uma conversa com Pedro Pires sobre “Os media como agentes de desenvolvimento”, sendo que a abertura ficou marcado por uma conferência motivacional “Liberdade de imprensa em contextos democráticos” proferida pelo ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim.

Em 2014, o I Diálogo Estratégico do IPP teve como tema “Integração regional em África”, o II, em 2015, foi sobre a “Inovação na gestão do desenvolvimento”, e em 2016, o III teve como tema “Que capital humano, para que desenvolvimento?”.

DR/JMV

Inforpress/Fim

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