Autarcas reúnem-se na Cidade da Praia para constituir Rede das Mulheres Eleitas Locais de Cabo Verde (c/áudio)

Cidade da Praia, 09 Nov (Inforpress) – Autarcas nacionais reuniram-se hoje na Cidade da Praia para criar a Rede das Mulheres Eleitas Locais de Cabo Verde, órgão que promoverá a participação das mulheres nos órgãos de decisão e que integrará a Rede das Mulheres Eleitas Locais de África.

Em entrevista à Inforpress, a deputada municipal da Praia e membro da Rede das Mulheres Eleitas Locais de África (REFELA), Filomena Delgado, explicou que a criação deste núcleo de mulheres eleitas locais em Cabo Verde foi inspirada na REFELA que tem como objectivo promover a boa liderança, a liderança feminina e a boa governação, integrando a abordagem de género.

“Na proposta dos objectivos que vamos apresentar será também de promovermos a participação paritária das mulheres nos órgãos de decisão, portanto nos órgãos autárquicos, na política, na economia, na vida social, cultural e desportiva de cada um dos municípios”, destacou a deputada.

Segundo ela, Cabo Verde tem alguns municípios que já elaboraram o Plano Municipal de Igualdade de Género, caso da Praia, do Paul, de Santa Catarina de Santiago e de São Miguel que neste momento está a trabalhar no seu plano.

Mas defendeu que é preciso que todos os municípios tenham esse plano, porque qualquer decisão a nível dos órgãos autárquicos reflecte na vida de homens e mulheres e “esse impacto deve ser sempre analisado, para que não sejam tomadas decisões de forma neutra sem pensar no que poderá acontecer com homens e mulheres e qual dos géneros poderá merecer uma atenção especial”.

Neste sentido, Filomena Delgado acredita que a formação desta rede poderá influenciar os municípios na elaboração desses planos municipais de igualdade de género, na formação e capacitação das mulheres na boa governação para que se possa melhorar a governação local.

A deputada lembrou ainda, que neste momento em Cabo Verde não há nenhuma mulher a dirigir uma Câmara Municipal, referindo também que no país poucas chegaram a esse cargo, salvo Isaura Gomes, em São Vicente, que foi a primeira mulher eleita presidente de câmara, a Vera Almeida, no Paul, e Rosa Rocha, no Porto Novo. Por isso, “manifestou a necessidade de se trabalhar a esse nível para aumentar o número de mulheres e também de vereadoras”.

“Na Assembleia Municipal da Praia há cerca de nove mulheres entre os 21 membros. A ideia é que também se faça um trabalho em cada um dos municípios para que haja mais mulheres eleitas locais”, sustentou Filomena Delgado.

Para o presidente da Associação Nacional dos Municípios, Manuel de Pina, com a criação desta rede Cabo Verde está a cumprir um acordo que foi assinado a nível africano. Para além disso, é importante que Cabo Verde tenha já criado o seu órgão para participar na próxima conferência da REFELA que será realizada em Marrocos, ajuntou.

Manuel de Pina classificou de “lamentável” não ter uma mulher presidente de câmara neste momento em Cabo Verde, defendendo nas próximas eleições uma posição 50-50 em relação aos homens. No entanto, disse que é necessário que que as mulheres sejam activas para que se possa ter essa igualdade de género.

Questionado sobre o que terá falhado nas últimas eleições para se ter essa paridade, Manuel de Pina afirmou que a política cabo-verdiana precisa de mais maturidade, qualidade e mais ética, porque ela é feita com muita violência agressividade.

“As mulheres são um pouco mais recatadas, digamos assim, para não se sujeitarem a essas violências que ainda existe na política. Os homens estão mais preparados para receber esse choque duro que, do meu ponto de vista, devemos melhorar em Cabo Verde”.

Conforme enfatizou Manuel de Pina, os políticos devem melhorar a forma de fazer política, para que ela (política) seja um acto de nobreza.

CD/FP

Inforpress /Fim

 

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