“Atenção primária em saúde é incipiente e carece de capacitação para atendimento aos doentes com transtornos mentais” – especialista

Cidade da Praia, 24 Nov (Inforpress) – A atenção primária em saúde nos serviços de Saúde é ainda incipiente e a evolução depende de investimentos na capacitação dos profissionais e na mudança de atitude no atendimento das pessoas com transtornos mentais nestes serviços.

A conclusão é da doutora em Enfermagem, Ana Moniz, na sua tese de doutoramento sobre “Saúde mental na atenção primária: Barreiras que enfrentam as famílias e as pessoas cabo-verdianas com transtornos mentais”, que partilhou hoje com os participantes no I Congresso Internacional de Saúde Mental, a decorrer na Cidade da Praia, hoje e sexta-feira, 25.

Segundo Ana Moniz, em declarações à imprensa, neste trabalho procurou, essencialmente, aprofundar a compreensão acerca do processo de integração da assistência em saúde mental nos serviços de atenção primária em saúde, na Cidade da Praia, tendo como balizadores teóricos os princípios que regem o Serviço Nacional de Saúde (SNS) do País.

A conclusão da tese, segundo disse, é que as famílias enfrentam muitas dificuldades com os seus doentes mentais após alta hospitalar, visto que muitos desconhecem a patologia e não possuem suporte na comunidade onde residem para acompanhar o doente com transtornos mentais.

“As complicações são enormes e passa ainda pelas barreiras e dificuldades no atendimento de um doente mental que assim como qualquer outro doente tem direito a saúde que não deve ser negada a ninguém”, precisou.

A docente, diretora da Unidade de Ciências da Natureza Vida e Ambiente (UCNVA) e coordenadora do curso de Enfermagem, na UniPiaget, realçou ainda na sua tese dificuldades a nível de capacitação dos profissionais que trabalham com o doente mental e o estigma social “muito forte” na sociedade, que influencia a organização do sistema e do serviço.

“Isso porque alguns profissionais chamaram a atenção no sentido de que o centro de saúde não era um espaço adequado para receber e tratar o doente mental”, frisou, focando na capacitação dos profissionais da saúde para a área da saúde mental, bem como estruturas físicas para atender o doente com transtornos mentais.

Apresentado pela primeira vez ao público, Ana Moniz realça ainda na tese de doutoramento barreiras das famílias por não estarem empoderadas, por não conhecerem a patologia e nem os sinais e sintomas da doença.

Após estas constatações que leva a que devido a mudança de comportamento muito doentes com transtornos mentais abandonam o lar e passam a estar, Ana Moniz na sua tese recomenda suporte na comunidade para as famílias e preparação dos profissionais que estão no centro da saúde para um atendimento de qualidade nesta área.

Ainda segundo a palestrante, a integração de saúde mental na atenção primária é uma estratégia fundamental, necessária para prestação de cuidado integral à pessoa com transtorno mental e seus familiares, consistindo em atividades de prevenção, promoção da saúde, intervenção precoce e reabilitação.

PC/AA

Inforpress/Fim

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