Ataque cibernético: NOSI garante que todos os dados estão salvaguardados

Cidade da Praia, 30 Nov (Inforpress) – O presidente do conselho de administração do NOSI garantiu hoje que todos os dados da soberania e os que garantem a governação digital mantiveram-se intactos e sem nenhum tipo de ameaça, depois de terem baixado a rede.

Carlos Pina deu esta garantia em conferência de imprensa para fazer o ponto da situação do ataque cibernético à Rede Tecnológica Privativa do Estado (RTPE) que bloqueou na quinta-feira, 26, toda a estrutura de autenticação e alguns sistemas de prestação de serviços ‘online’.

Após a detecção dos problemas e pela velocidade com que estava a ser propagado na rede, o Núcleo Operacional para a Sociedade de Informação (NOSI), contou, tomou a decisão de baixar toda a rede tecnológica privativa do Estado para assim poderem estagnar a propagação e recuperar os dados.

“Concluímos que o ataque bloqueou alguns servidores como a nossa estrutura de autenticação e alguns servidores que garantem serviços ‘online’ aos cidadãos e as empresas, mas o facto de termos tomado a decisão rápida de baixar a rede garantimos que aquilo que são os dados de soberania, os dados que garantem a governação digital manterem-se intactos e sem nenhum tipo de ameaça”, assegurou.

Carlos Pina adiantou ainda que foi criada uma equipa de crise constituída pelo NOSI, duas entidades internacionais, e a Procuradoria-Geral da República que accionou a Interpol para juntos reporem os serviços públicos e em simultâneo fazer uma investigação forense.

Esta ameaça, avançou, foi originada por uma rede criminosa internacional que tem células espalhadas por vários países, e até agora não se sabe se tem alguma célula em Cabo Verde, por isso será feita uma auditoria forense para apurar as causas efectivas deste ataque.

Até este momento foi feito o mapeamento de mais de mil computadores atacados e destes 18% estão infectados. Neste sentido, prosseguiu, antes de entrarem na rede será feita a higienização de 85% dos computadores.

“Este é um processo moroso e nós definimos um conjunto de sectores críticos para o País e que estamos a dar prioridade a esses sectores, para ainda hoje termos os serviços públicos, nomeadamente o Instituto Nacional de Previdência Social, todos os serviços das Finanças serão garantidos, os serviços da Casa de Cidadão, do Registo Notariado e Identificação (RNI) e os serviços de saúde, nomeadamente os hospitais”, indicou.

Carlos Pina adiantou que ainda não é possível definir um ‘time’ para que todos os serviços estejam disponíveis para o utilizador, por isso a prioridade é para os utilizadores que lidam com cidadãos e empresas e só depois os restantes clientes.

A melhor forma de impedir os ataques, para além de investimento nos mecanismos de protecção tecnológica, alertou, é preciso investir no comportamento humano.

“É preciso investir no comportamento porque esses ataques dependem, sobretudo, do comportamento humano, ou seja, das vítimas, porque o ‘malware’, se o computador estiver devidamente protegido, raramente consegue passar porque há todo o mecanismo de ‘firewall’, antivírus e outros que estão a instalar, mas através do e-mail é muito fácil, afirmou.

Carlos Pina apelou às pessoas a verem bem os e-mails que recebem, sobretudo, o endereço electrónico, porque muitas vezes o nome pode ser de uma pessoa conhecida, mas o e-mail é diferente e associada a essas mensagens há ficheiros que causam este ataque.

AM/CP

Inforpress/fim

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