Assistentes sociais defendem maior valorização da classe em Cabo Verde

Cidade da Praia, 15 Mai (Inforpress) – A presidente da Associação dos Assistentes Sociais, Paula Fortes, reconheceu, na Cidade da Praia, que há falta de conhecimento e reconhecimento do trabalho da classe em Cabo Verde.

“O maior desafio é a valorização da profissão no País”, disse Paula Fortes que falava à Inforpress por ocasião do dia Internacional dos Assistentes Sociais que se celebra anualmente a 15 de Maio.

A líder da Associação dos Assistentes Sociais fez um balanço daquilo que tem sido o trabalho desenvolvido pelos profissionais da área, mencionando que têm actuado em vários sectores, nomeadamente, o da assistência social, reinserção social de reclusos, toxicodependentes, família, inclusão e protecção social e da saúde.

No entanto, avançou esta responsável, os profissionais têm vindo a enfrentar alguns desafios, dos quais, exemplificou, a não actuação da classe em áreas fundamentais para qualquer País, nomeadamente, no sector da justiça (procuradoria e tribunais), que a seu ver seria um campo interessante para a actuação dos profissionais, a  educação que conforme argumentou “é fundamental”, sobretudo, pelas altas taxas de abandono escolar.

“Há também a área da habitação, ensino e pesquisa, serviço social. Timidamente estamos a entrar na consultoria e gestão de projectos e com uma fraca participação na área de serviços de recursos humanos”, acrescentou.

Entretanto, fez saber que um dos maiores desafios da classe é ter a valorização e ser reconhecido tendo frisado que a área é pouco conhecida e reconhecida em Cabo Verde.

“Muitos perguntam quais as funções de um assistente social, ou seja, há um grande desconhecimento sobre a profissão e nós enquanto organização da classe achamos que é urgente romper esta visão que a sociedade tem porque há situações que, em vez de ser contratado um assistente social são contratados outros profissionais que acabam por fazer o trabalho do assistente social”, enfatizou Fortes.

A presidente da organização ressalvou que a classe pretende criar espaços de reflexão para debater sobre os desafios que têm vindo a enfrentar no mercado de trabalho, bem como sobre a prática profissional nas áreas de actuação, principalmente, daquelas que ainda não actuam e definir conjuntamente estratégias para fazer face às dificuldades.

Para além disso, salientou, há a necessidade de estabelecer e desenvolver canais de comunicação com os governantes e a sociedade civil para juntos buscar melhorias afim de ter uma maior actuação da classe na vida social e política.

Porque conforme vincou Paula Fortes também compete aos assistentes sociais participar na formulação de políticas públicas para o País, que vão ao encontro da realidade da população e dar melhores respostas, quanto mais neste momento difícil por que passa o País devido à pandemia da covid-19 e agora agravada com a guerra entre Ucrânia e Rússia.

Defendeu, igualmente, a contribuição das universidades nacionais na facilitação de espaços de debates plurais, de ensino e pesquisa, de modo a que assistentes sociais sejam capazes de articular posições criar consensos na qualidade do intelectual e não apenas do operador de serviços.

Observou que actualmente nenhuma universidade lecciona o curso em Cabo Verde, salientando que deve ser ao facto da saturação do mercado, tendo em conta que o desemprego está a atingir “uma grande fatia” dos formados na área.

“Para a classe é um desperdício de competências principalmente neste momento que o País atravessa, que a sociedade necessita deste profissional. O que pode ter repercussões em termos de precarização nas condições de trabalho dos assistentes sociais e temos muitos colegas desanimados porque o desemprego afecta a classe”, afiançou a presidente.

Por outro lado, Paula Fortes destacou a “grande importância” dos assistentes sociais, que desde a sua génese têm estado sempre na linha da frente no combate às crise, injustiças, desigualdades sociais, situações de risco e exclusão social.

Apontou igualmente, “o grande papel” dos profissionais neste período pandémico realçando que vários assistentes socias foram contratados no início da pandemia da covid-19.

TC/HF

Inforpress/Fim

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
  • Galeria de Fotos