Assembleia-geral da ONU: Primeiro-ministro diz que a pandemia da covid-19 constitui a “maior das ameaças” da humanidade

Cidade da Praia, 26 Set (Inforpress) –  O primeiro-ministro disse hoje que a pandemia da covid-19 constitui a “maior das ameaças” que a humanidade atravessa no decurso do último século e que os pequenos estados insulares “não conseguem suportar sozinhos o custo da recuperação”.

“O impacto da pandemia tem uma dimensão profundamente humana e humanitária porque afecta essencialmente as pessoas, as suas vidas, a sua saúde, as famílias órfãs dos seus entes queridos, a sua subsistência, o emprego, a inclusão e protecção sociais, a mobilidade, o lazer e a estabilidade psicológica e mental”, enfatizou Ulisses Correia e Silva.

O governante, que discursava na 75ª Assembleia Geral das Nações Unidas, por videoconferência, afirmou que a referida pandemia veio “agudizar ainda mais a desigualdade entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento”.

Para Correia e Silva, poucos países do mundo possuem poupanças suficientes para acomodar os custos extraordinários impostos pela crise global provocada pela pandemia da covid-19 e ao mesmo tempo, recuperar e relançar a economia.

O primeiro-ministro lembrou que nos países mais desenvolvidos, como é o caso dos da União Europeia, foi necessário um pacote financeiro de 750 mil milhões de euros para apoiar os Estados-membros.

“Os estímulos financeiros dos países mais ricos ultrapassam centenas de bilhões de dólares”, apontou o chefe do Governo, para quem a África e os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) não conseguem suportar, sozinhos, os custos e a recuperação e o relançamento das suas economias.

“Estamos perante um combate interno de cada país e ao mesmo tempo um combate global, que exige soluções colaborativas globais”, exortou o governante, acrescentando que “ninguém ganha com uma África mais empobrecida, com o aumento de crises humanitárias e securitárias”.

Na perspectiva do chefe do executivo cabo-verdiano “todos ganham se os países africanos tiverem as condições necessárias para superarem a grave crise sanitária, económica e social provocada pela covid-19 e entrarem numa nova era de transformações estruturais que impactem positivamente as suas economias e os Índices de Desenvolvimento Humano (IDH)”.

“É neste quadro, que o acesso equitativo e universal à vacina como um bem público essencial e à iniciativa de perdão da dívida externa, devem ser objecto de um Pacto de Responsabilidade Mundial de modo a não deixar ninguém para trás”, propôs Ulisses Correia e Silva.

Segundo ele, o perdão da dívida externa é necessário não só para fazer face à contracção económica e aos desequilíbrios macroeconómicos provocados pela crise do coronavírus, mas como um ponto de viragem para impulsionar o desenvolvimento sustentável dos países africanos no quadro de um “forte compromisso com os Objectivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS”.

Segundo o primeiro-ministro, uma abordagem diferenciada deve ser feita aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS, a sigla em inglês para Small Island Developing States), tendo em conta a sua “grande vulnerabilidade aos choques externos, económicos e ambientais, e forte dependência do turismo, sector fortemente atingido pela crise da covid-19”.

Muitos dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, observou Correia e Silva, têm um “bom desempenho” em reformas orientadas para o aumento da resiliência e redução das vulnerabilidades, que precisam de tempo para se robustecerem.

“Todo o esforço não pode ficar em vão. É por isso, que faz todo o sentido, ver com particular atenção para a iniciativa de perdão da dívida externa desta categoria de países e outras iniciativas orientadas para a retoma das economias e o prosseguimento do caminho para o desenvolvimento sustentável”, propôs o primeiro-ministro.

“Para os SIDS [Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento], a resposta da comunidade internacional não pode e nem deve ser um problema de elegibilidade com base no PIB [Produto Interno Bruto] per capita, mas sim com base na prova do esforço desses países através de reformas e dos progressos conseguidos e previstos para o alcance dos ODS”, indicou, assegurando que a perspectiva de Cabo Verde é “aplicar os recursos libertos do serviço da dívida externa no financiamento da Agenda Estratégica de Desenvolvimento Sustentável 2030”.

“Hoje, mais uma vez, com a pandemia da covid-19 fica clara a importância do multilateralismo. Quando as economias se desconectam, quando as fronteiras se fecham, todos perdem. Uns perdem mais do que outros, mas o saldo global é negativo”, precisou Ulisses Correia e Silva, para quem as Nações Unidas que se precisam “devem unir as nações na construção do futuro” que se quer.

“E isso só pode ser conseguido com a reafirmação da importância insubstituível do multilateralismo”, concluiu.

Referindo-se aos 75 anos da ONU, Correia e Silva não quis passar ao lado da necessidade de uma reforma da organização, nomeadamente na composição e funcionamento do Conselho de Segurança, na revitalização da Assembleia Geral e no reforço do Conselho Económico e Social.

LC/HF

Inforpress/Fim

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