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Arquivo Nacional reivindica mais condições para servir as ilhas e a diáspora cabo-verdiana

 

Cidade da Praia, 09 Jun (Inforpress) – A democratização do acesso as memórias inventariadas e preservadas no Arquivo Nacional abrangendo as ilhas e a diáspora cabo-verdiana é o grande desafio da instituição guardiã dos registos da nação que quer servir as universidades e os investigadores nacionais.

A afirmação é da conservadora do Arquivo Nacional de Cabo Verde (ANCV), Filomena Oliveira, em declarações à Inforpress, à margem do 3º Encontro de Reflexão sobre os Arquivos em Cabo Verde, que decorre na Cidade da Praia, sob o tema ““Arquivos e as universidades: as convergências e complementaridades”.

O encontro, que visa celebrar o Dia Internacional dos Arquivos, deve servir, segundo Filomena Oliveira, para que o país reflita sobre uma maior dignidade ao Arquivo Histórico Nacional apetrechando-o com materiais que sirvam para a digitalização e microfilmagem dos documentos existentes.

“Devemos aproveitar os recursos tecnológicos existentes, hoje, para ter uma base de dados adequadas e segundo os padrões internacionais e utilizar a Internet para poder disponibilizar toda essa documentação aos cidadãos”, disse.

Ainda segundo a conservadora do ANCV é preciso, também, a descentralização dos arquivos a nível nacional com a organização dos arquivos municipais, mas sobre a supervisão do ANCV, visando a sua utilização aos cidadãos nacionais.

No que se refere ao tema em debate, Filomena Oliveira lembrou que o grande objectivo é abrir um debate sobre como o arquivo, juntamente com as universidades, poderá cumprir melhor o seu papel na construção da cidadania e na promoção da investigação científica a partir do acervo documental existente na instituição.

E porque o ANCV tem, segundo aquela responsável, cumprido com o seu papel de inventar e preservar os documentos do país, o seu apelo vai no sentido de se trabalhar para mudar a visão tradicional que se tem dos arquivos.

Isso, porque, sublinhou, ainda se pensa que os arquivos é um espaço onde se remete os documentos antigos “os velhos” para serem guardados e preservados até o momento da sua destruição total.

“Essa visão é muito limitativa do que é, efectivamente, a missão do arquivo nacional e limita a potencialidade que a instituição tem em transformar essas documentações para que possam produzir conhecimento”, enfatizou.

Nisto lembrou, ainda, a necessidade de mudança de atitude profissional dos próprios arquivistas frente ao trabalho que desempenham.

No encontro de hoje está previsto o debate sobre os temas “Acervo documental do ANCV: fundos e instrumentos de pesquisa”, “O Arquivo Nacional de Cabo Verde e a pesquisa cientifica nas universidades: que relação?”, e “Documentos antigos e a literacia mediática”.

Consta ainda de debate temas como “Experiências investigativas no acervo do ANCV”, Iniciação de estudantes à pesquisa histórica: desafios e perspectivas” e “As pesquisas cientificas em ciências da terra e da vida: buscando qualidade de suportes documentais no ANCV”.

Além do encontro de hoje, o ANCV vai abrir as suas portas durante o mês de Junho para actividades de informações a pessoas que queiram saber mais sobre a instituição e consultar os seus acervos.

O Dia Internacional do Arquivo Histórico é assinalado, este ano, a nível mundial, sob o lema “Arquivos, Cidadania e Multiculturalidade” e tem como propósito lembrar que todos têm direito à informação para poderem participar.

A data foi instituída pela assembleia geral do Conselho Internacional de Arquivos (CIA), no Québec, em Novembro de 2007, e escolhida por ter sido precisamente a 9 de Junho de 1948 que a UNESCO criou o CIA.

PC/CP

Inforpress/Fim

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