ARC reconhece que jornal O País atentou contra o bom nome e credibilidade da Inforpress

Cidade da Praia, 18 Mai (Inforpress) – A Autoridade Reguladora para a Comunicação Social (ARC) deu razão à Inforpress na  queixa que intentou contra jornal online O País, em Abril, reconhecendo que este atentou contra o bom nome e a credibilidade da agência de noticias.

Em causa uma queixa apresentada pela Inforpress,  na sequência de um editorial publicado pelo jornal online O País intitulado título “Inforpress lança pânico, medo e desconfiança sobre a Covid-19 em Cabo Verde”, em que este acusa a Inforpress de deturpação de informações e da notícia sobre as projecções de casos da covid-19, em Cabo Verde.

Depois de analisados os dados, a ARC constatou que o conteúdo da peça da Inforpress não diverge no tratamento e na divulgação dos dados apresentados pela maioria dos órgãos de comunicação social, designadamente os órgãos de serviço público de rádio e televisão.

Adianta ainda que “ficou claro, na notícia, que o estudo apresentado levou em consideração vários cenários, sendo a conclusão das eventuais 38.961 infeções e 430 mortes um quadro que resultou da leitura de dados reais fornecidos pelo Ministério da Saúde até a data”.

A ARC considerou, entretanto, que ficou por por esclarecer na peça que o cenário resultou de uma extrapolação à amostra, ou seja, que se tratava de um trabalho de inferência estatística, pelo que a Inforpress negligenciou quando não revelou o intervalo de confiança e o erro máximo da amostra.

Um aspecto da deliberação com o qual a Inforpress não concordou dado no último paragrafo da notícia em causa ter ficado “bem nítido” que o “estudo tem intervalo de confiança de 95% e uma margem de erro de 5%”.

Ainda assim, a ARC realçou que tais imprecisões não se afiguram suficientes, diante da fidelidade da notícia com relação ao tratamento dos dados apresentados, para deduzir que a peça teria sido provocadora de “pânico, medo e desconfiança”, como resultou da leitura apresentada pelo jornal O País, que fundamenta as sua alegações no fato de não ter ficado claro no texto da Inforpress que os dados apresentados resultaram de projeções a partir de cenários apresentados.

“Pelo que as conclusões do jornal O País não se ajustam à contextualização e aos resultados apresentados na totalidade da peça divulgada pela parte queixosa. Aliás, é patente no editorial desse jornal que pontos fundamentais da sua análise e conclusões relativas à peça divulgada pela Inforpress se resumem a uma leitura realizada ao próprio conteúdo da apresentação (em PowerPoint) do estudo, editado, da responsabilidade do Ministério da Saúde e Segurança Social”, refere o documento.

Por isso mesmo, o conselho regulador reconheceu que “o editorial de 12 de abril do jornal O País contém elementos suscetíveis de pôr em causa a honra, o bom nome e a credibilidade da queixosa”.

Entretanto, decidiu dar por  “suficiente, proporcional e adequado” à defesa da honra da queixosa, a oportunidade que teve de se defender e de apresentar o respetivo contraditório, pelo exercício tempestivo do direito de resposta.

Contudo, recomendou ao jornal online O País que, de futuro, observe sempre os limite impostos pelas leis quanto à honra e consideração das pessoas e, principalmente, que repudie qualquer comportamento passível de pôr em causa o compromisso do órgão de comunicação social de exercer a sua atividade com o rigor e objetividade na informação que disponibiliza ao público.

MJB/AA

Inforpress/Fim

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