Antiga povoação de Alcatrazes classificada como Património Nacional de Cabo Verde

Cidade da Praia, 24 Set (Inforpress) – O Governo classificou como Património Nacional o conjunto histórico e arqueológico de Alcatrazes, uma das primeiras povoações do arquipélago, envolvendo uma área total de 2,7 quilómetros quadrados, que passa a estar protegida.

A classificação daquele conjunto, localizado no concelho de São Domingos, ilha de Santiago, consta de uma portaria do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, publicada na quarta-feira, 24, e que entrou hoje em vigor.

“O acto formal de classificação imputa responsabilidades aos vários intervenientes na gestão patrimonial, resultantes do pacto patrimonial entre os principais actores públicos e privados”, refere a portaria, que classifica o Conjunto Histórico e Arqueológico de Alcatrazes como Património Nacional de Cabo Verde, tendo como área central a igreja de Nossa Senhora da Luz.

Envolve uma zona classificada de quase 1,5 quilómetros quadrados e mais 1,2 quilómetros quadrados de “área tampão”.

Localizada na parte oriental da ilha de Santiago, perto de uma baía desolada, Alcatrazes teria sido a segunda povoação de Cabo Verde, desenvolvida ao mesmo tempo que Ribeira Grande (Cidade Velha, património da Humanidade), mas rapidamente abandonada devido à aridez do local.

“A diversidade patrimonial edificada no arquipélago marca, indelevelmente, a importância de Cabo Verde no contexto da expansão portuguesa no mundo e, perante a necessidade de valorizar e conservar as suas heranças patrimoniais, o Governo de Cabo Verde, através do Instituto do Património Cultural, vai salvaguardar a sua herança cultural, através de classificação”, lê-se ainda.

Relatos históricos referem que a edificação de Alcatrazes arrancou em 1462, logo após a descoberta das ilhas de Cabo Verde pela Coroa Portuguesa, mas que começou a ser gradualmente abandonada cerca de 50 anos depois.

Ilídio do Amaral, no livro “Santiago de Cabo Verde, a Terra e os Homens”, escreve que Alcatrazes, “situada sobre uma achada árida e pedregosa”, começou a ver desaparecer as primeiras casas em 1516, com os habitantes a mudarem-se para a Ribeira Grande, uns, e outros para uma nova povoação que estava a surgir, Praia.

Em Agosto último, aquele ministério tinha já concluído a reabilitação da igreja, ponto central do antigo povoado.

“Estamos a falar de uma igreja que também é quinhentista, que acaba por mostrar a fixação da Igreja, mas também da população na localidade de Santiago”, afirmou em 22 de Agosto, aquando da entrega das chaves do templo, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente.

O governante adiantou na altura que a classificação daquela área seria de “extrema relevância” para a comunidade local: “Aumenta a responsabilidade da igreja e do Estado para a sua preservação”.

A igreja de Nossa Senhora da Luz ainda hoje é local de peregrinação, principalmente, a 08 de Setembro, dia da padroeira, tendo a reabilitação do tempo custado ao Estado cerca de 18 milhões de escudos (163 mil euros).

Inforpress/Lusa

Fim

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