AME: produtor José “Djô” da Silva diz-se magoado com a falta de comunicação por parte do ministro da Cultura

 

Cidade da Praia, 15 Nov (Inforpress) – O director da produtora Harmonia, José “Djô” da Silva manifestou-se hoje “magoado e indignado” com a falta de comunicação do ministro da Cultura, Abrão Vicente sobre a privatização do Atlantic Music Expo (AME-CV).

“Djô” da Silva manifestou a sua indignação durante uma conferência de imprensa hoje, na Cidade da Praia, para falar sobre a realização do evento, ocasião que aproveitou para reagir às acusações do governante em relação às verbas e prestação de contas nas edições anteriores do AME.

“Djô” da Silva, que é um dos organizadores do Atlantic Music Expo, lamentou a situação e a forma como a questão foi abordada na imprensa nacional e internacional, tendo afirmado que os organizadores do evento tiveram conhecimento sobre “a retirada” do Governo na realização do AME, através de uma nota de imprensa do Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas.

“Estou magoado com a forma de comunicação feita pelo governante, foi como dar um tiro no pé. Só não sei se foi de prepósito ou não”, precisou o produtor, realçando que a Harmonia nunca foi contra a privatização do AME uma vez que a proposta já tinha sido apresentada ao ministro da Cultura, Mário Lúcio, que na altura recusou a ideia.

Na ocasião assegurou que todos os anos a Harmonia entregou ao ministério facturas de contas, relatório e todos os documentos relacionados com a realização do certame, tendo lembrado que durante as cinco edições a sua produtora “carregou nas costas” o evento, sendo que a verba nunca foi disponibilizada a tempo.

“Djô” da Silva, que disse que apesar de não fazer mais parte da organização do evento, o mesmo vai continuar graças ao engajamento de um grupo de produtores nacionais, mas também do Governo, através do primeiro-ministro, que prometeu disponibilizar 10 mil contos do Fundo do Turismo.

“Essa nova equipa denominada Associação Cabo Verde Cultural, pode contar sempre comigo, para levar e projectar o AME para o futuro e continuar e fazer do arquipélago uma plataforma de exportação de música e de troca cultural”, sublinhou.

Na ocasião desvalorizou as afirmações do ministro quanto aos resultados do AME, tendo indicado que nos cinco anos e em termos de participação, o evento mobilizou mais de 1700 delegados, 105 showcases (40 internacional e 65 nacional) representação de 40 países, mais de 250 concertos de artistas cabo-verdianos foram vendidos no exterior com uma media de 96 mil contos de caschier, 15 artistas cabo-verdianos foram internacionalizados e cinco contractos discográficos assinados.

“Em termos de divulgação, o AME esteve em mais de 400 artigos de jornais no mundo inteiro, mais de 500 horas directo de rádio na RDP África, Rádio Nacional de Cabo Verde e RFI contribuindo para os direitos dos autores”, apontou, revelando que a nível económico gerou cerca de 21 mil contos em restauração e 35 mil contos de viagens dentro do país.

Na semana passada, em nota de imprensa, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas disse que “já é o momento” do sector privado assumir a realização do Atlantic Music Expo (AME-CV), uma das amostras da cultura cabo-verdiana, sendo que o Estado tinha cumprido o seu papel para a concretização de um mercado da música em Cabo Verde” e anunciou a abertura de espaço para os privados assumirem agora a realização do evento.

Na segunda-feira, 13, o ministro da Cultura e das Industriais Criativas garantiu que o Governo já não iria financiar o Atlantic Musica Expo (AME-CV), alegando que o evento estava a consumir 1/3 do orçamento de investimento do seu ministério.

O AME-CV é uma feira mundial da música, onde profissionais da música, ‘managers’, produtores, jornalistas, empresários, directores de salas e de festivais, agentes, ‘bookers’, distribuidores, videastas, fotógrafos, fabricantes de instrumentos, equipamentos e acessórios diversos, de todo o mundo, expõem os seus produtos e reflectem sobre a sua área de actividade.

O evento, promovido pelo MCIC, tem sido também palco de amostras de CD, DVD e ‘flyers’, e para demonstração de instrumentos e equipamentos musicais, de conferências, ‘workshops’, ateliês, formação, palestras, debates, sem esquecer os ‘showcases’ e concertos para o público profissional.

A primeira edição do Atlantic Music Expo (AME-CV) aconteceu em Abril de 2013.

AV/FP

Inforpress/Fim

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