AME 2019:  Director artístico de Japão recomenda artistas a apostarem em fazer CD pois ainda há vendas neste mercado

Cidade da Praia, 10 Abr (Inforpress) – O director artístico e encarregado da agenda cultural da Embaixada do Japão na África do Sul afirmou hoje que 80% do trabalho dos artistas no Japão é físico, porque ainda as pessoas têm hábito de adquirir CD.

Nicolas Ribalet fez esta revelação durante a conferência sobre “Japão: Panorama de um mercado de música atípico”, que aconteceu hoje, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia, no terceiro dia do Atlantic Music Expo (AME).

Segundo disse, o Japão é o segundo maior mercado de música do mundo, por isso é um mercado “bastante difícil” de se entrar e os artistas que almejam isso, precisam de fazer um trabalho “longo e árduo”.

Entretanto, de Cabo Verde, a Inforpress soube que, a ‘rainha da morna’ Cesária Évora pisou várias vezes os placo deste país, e, da nova geração, a jovem Elida Almeida, no início da sua carreira, em 2015, teve a oportunidade de fazer a promoção do seu primeiro álbum “Ora Doci Ora Margos” na comunicação social desse país, seguido de “showcase” e “lives”.

Nicolas Ribalet fez saber que muitos artistas novos estão interessados no Japão, mas estes devem ter em conta que este país asiático não é um mercado emergente, uma vez que, desde 1960 tornou-se num mercado “estável e eficiente” por onde “grandes bandas internacionais” já passaram.

“Em termos de rendimento é cerca de sete bilhões de dólares por ano e algo surpreendente é que vendem muitos CD ainda. A maior parte dessas receitas vem das gravações, 37 por cento (%) das receitas é de actuações ao vivo, as publicações também são muito forte, quase 14%, e esse rendimento são de actuações nacionais, portanto, é um mercado bastante limitado”, apontou.

Algo surpreendente, disse, é que a música ‘streaming’ é responsável por 9% do rendimento, e que 80% do trabalho dos artistas no Japão é físico, sendo 60% CD e o restante vídeos musicais.

“Ainda vendemos CD e DVD no Japão. É impressionante. Como podem ver, o equilíbrio entre o físico e o digital é quase que estável, não muda muito.  A Apple é um dos mais fortes no mercado Japão, mas as pessoas continuam a comprar CD porque querem ter um objecto físico”, afirmou.

Nicolas Ribalet justificou ainda que pelo facto de a lei penalizar os infractores, neste país nada é feito de forma ilegal, isto é, não há pirataria e todos as músicas estão declaradas.

Sublinhou anda que neste país asiático, o Governo não apoia a indústria musical porque as empresas japonesas patrocinam todas as actividades e que todos os espectáculos são pagos.

Esse produtor de festivais informou ainda que no Japão até os pequenos artistas conseguem ter um rendimento nas suas publicações através do copyright (direitos autorais).

Para os artistas interessados neste mercado, a mesma fonte recomendou-os a não terem pressa com isso, porque antes precisam “criar um nome” em outros mercados, ter uma base sólida de fãs e só depois contactar um produtor japonês e solicitar um visto de artista e não de turismo.

“Reserve um tempo para difundir seu artista e crie uma visibilidade antes de fazer uma turnê. Tire um tempo para construir confiança e entender o mercado”, aconselhou-os.

AM/CP
Inforpress/Fim

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