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“Alimentação saudável não deve ser um luxo para os africanos”, diz representante regional da FAO para o continente

Pedra Badejo, 16 Jul (Inforpress) – O director-geral assistente e representante regional para África da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) defendeu hoje que a alimentação saudável não deve ser um luxo para os africanos.

Abebe Haile-Gabriel fez estas afirmações, num texto de opinião, na sequência da divulgação do relatório “O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo”, que dá conta que a África tem a maior prevalência de desnutrição, mais do dobro da média mundial, e o crescimento “mais rápido” do número de pessoas com fome em comparação com outras regiões.

Segundo o relatório, se as tendências recentes persistirem, a África ultrapassará a Ásia e se tornará na região com o maior número de pessoas subnutridas, representando metade do total em 2030.

O documento aponta ainda que na África ocidental estima-se que mais de 80 por cento (%) da população não tenham condições para ter uma dieta saudável, que é a maior percentagem mundial, enquanto na subsaariana uma dieta saudável custa 3,2 vezes mais que a linha da pobreza.

Para o representante regional da FAO, esses dados representam uma “enorme perda” de potencial para os indivíduos, comunidades, economias e nações.

“A fome está a aumentar em todas as regiões de África, particularmente na África subsaariana, e a alimentação saudável tornou-se um luxo que está para além do alcance de muitos africanos”, demonstrou.

Ao seu ver, mesmo sem se considerar os impactos da covid-19, a África está “significativamente distante” de cumprir a meta acordada de acabar com a fome até 2030, tendo em conta as “evidências gritantes”.

“A covid-19 está a agravar o problema. Devido às interrupções no abastecimento de alimentos e dos meios de subsistência, muitas famílias enfrentam dificuldades crescentes no acesso a alimentos nutritivos, particularmente os mais pobres e mais vulneráveis. As projecções preliminares descritas no relatório sugerem que o covid-19 poderá provocar um aumento de 83 a 132 milhões de pessoas desnutridas em todo o mundo”, observou.

Abebe Haile-Gabriel considerou que o custo de uma dieta saudável está acima da linha de pobreza internacional, o que, no seu entender, significa que pessoas que ganham menos de 1,90 dólar por dia não dispõem de meios para consumir calorias e nutrientes suficientes e adequados dos diversos grupos alimentares.

Neste sentido, defendeu a necessidade de se fazer uma revisão da linha da pobreza para se incluir o custo de alimentos nutritivos como a necessidade básica da vida.

Sugeriu ainda acções ousadas para acabar com a fome, através da transformação dos sistemas alimentares, tornando-os acessíveis às dietas saudáveis, impulsionando progresso em direcção ao Objectivo do Desenvolvimento Sustentável de que consiste em eliminar a fome e todas as formas de desnutrição até 2030.

WM/JMV

Inforpress/Fim

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