Aldeias SOS Cabo Verde satisfeitas com a adesão da sociedade civil à campanha de responsabilização parental

Cidade da Praia, 24 Mai (Inforpress) – O director nacional das Aldeias SOS Cabo Verde, Dionísio Pereira, disse hoje na cidade da Praia que a instituição está satisfeita com a adesão da sociedade civil à sua campanha de responsabilização parental, lançada em Março deste ano.

Este responsável manifestou esta posição em declarações à imprensa à saída de uma audição com a Comissão Especializada de Assuntos Jurídicos, Direitos Humanos e Comunicação Social (1ª Comissão) do Parlamento.

Dionísio Pereira começou por dizer que se está na estrada com essa campanha de responsabilização parental e mudanças dessa natureza, que influenciam alguns “aspectos nocivos” da cultura cabo-verdiana, por levar “algum dissabor”, mas que é, justamente, por isso que a mesma foi pensada.

“Eu não acredito que pessoas que não cuidam, que não assumam as suas responsabilidades em matéria de cuidados dos próprios filhos, terão coragem e ousadia de enfrentar a sociedade na linha de mostrar uma posição contrária aquilo que defendemos em termos de responsabilização”, acrescentou.

Por isso, Dionísio Pereira diz julgar que a sociedade “no seu todo” vai aderir.

“Nós estamos muito satisfeitos com a adesão à esta campanha, porque a questão não se trata apenas de pagamento (…) nós não temos embalagem e supermercados de venda do amor, carinho e de toda a atenção”, disse Dionísio Pereira ajuntando que, muitas vezes, a criança necessita muito mais do que a satisfação pelo dinheiro, que se ouve dizer que o pai ou a mãe entrega ao outro progenitor.

Conforme o director nacional das Aldeias SOS Cabo Verde estão a defender que as pessoas, ao trazerem um ser humano ao mundo, devem assumir “plenamente” as suas responsabilidades, que não passam apenas pela garantia do sustento, da refeição, em ter uma habitação.

“É preciso dar atenção, é preciso permitir a pessoa ter um equilíbrio psicológico emocional que permita o seu desenvolvimento sã e viva com felicidade”, defendeu Dionísio Pereira, acrescentando que aquela intuição julga que “as coisas estarão falhando” e, “muito provavelmente”, perante o poder judicial que se focaliza muito mais na fixação da pensão do alimento, do que na fiscalização de que os progenitores devem garantir cuidados afectivos que permitem o desenvolvimento equilibrado e emocional da criança.

As Aldeias SOS Cabo Verde entendem, segundo Dionísio Pereira, que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) poderia ser enriquecido com a incorporação desse dispositivo de responsabilização parental, uma vez que aquele que há neste momento “não satisfaz”.

Para este responsável, é preciso garantir que, de facto, essa parte do afecto seja decretada e fiscalizada por especialistas, assistentes sociais, psicológicos, para garantir não apenas o lado financeiro do sustento, mas também a parte afectiva e emocional.

Defende que as pessoas que não assumem as suas responsabilidades devem passar por um programa de reeducação, porque “a atitude que estarão adotando é demonstrativo de insuficiência em termos de conhecimento, de postura socialmente, aceite”.

“Na situação de recusa de cumprimento de algumas dessas determinações, essas pessoas devem ser privadas de liberdade, porque nós, os outros, estaremos a sofrer das consequências pelos actos que estarão cometendo”, sugeriu Dionísio Pereira, frisando que quem mais sofre são os filhos que não estão tendo a devida atenção.

GSF/CP

Inforpress/Fim

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