Ajoc pede mais meios e condições para que jornalistas efectuem melhor cobertura das eleições (c/áudio)

Cidade da Praia, 02 Mar (Inforpress) – O presidente da Associação Sindical dos Jornalistas (Ajoc) pediu hoje às empresas de comunicação social que disponibilizem meios e condições para que os profissionais façam a cobertura das eleições “da melhor forma, com independência e autonomia”.

Carlos Santos falava em declarações à imprensa no âmbito da abertura de uma acção de formação promovida pela Ajoc e pela Comissão Nacional das Eleições (CNE) destinada aos jornalistas e que visa a preparação dos mesmos para o novo ciclo eleitoral no País, nomeadamente as eleições autárquicas em 2020 e presidências em 2021.

Para o também jornalista, durante este período eleitoral há “muita pressão” e há “mais exigência” no sentido de o jornalista firmar a sua actuação com base nos princípios e valores éticos e deontológico.

“O que nós temos aconselhado os jornalistas é (…) que tenham mais atenção neste período, até porque Ajoc tem um código de conduta para os jornalistas em matéria de cobertura de eleições e aqui os jornalistas têm que fazer um esforço, no sentido de compatibilizar aquilo que são os valores e os princípios da sua profissão, as questões técnicas e o código eleitoral que acrescenta naturalmente outras responsabilidades aos jornalistas”, alertou.

Ainda durante este período, sublinhou, os jornalistas têm muita dificuldade em manter a sua autonomia e a sua independência, isso porque em Cabo Verde, continuou, há uma tradição de os jornalistas integrarem a comitiva dos candidatos quando estes fazem deslocações para outras ilhas.

E quando isso acontece, salientou, criam-se alguns ruídos, mas há que ter a atenção que os jornalistas não estão ao serviço das candidaturas, mas sim são profissionais independentes.

“Nós pedimos que as empresas de comunicação social disponibilizem meios e condições para que o profissional faça o seu trabalho da melhor forma, que tenha independência (…) a comunicação social, também é uma instância de legitimação dos vencedores, por isso que toda atenção tem que ser redobrada porque no próprio dia das eleições há muita pressão na altura da divulgação dos resultados”, apelou, fazendo  ainda referência àquilo que se está a passar na Guiné-Bissau, em que após as eleições a rádio e a televisão foram tomadas.

Neste contexto, ajuntou, o trabalho do jornalista é “extremamente difícil” e fica sob pressão e é por este motivo que quer que os jornalistas cabo-verdianos saem da formação com “conhecimento refrescado” para que o ciclo eleitoral decorra na normalidade no País.

Para o vice-presidente da CNE, Amadeu Barbosa, como quarto poder, os jornalistas devem estar atentos aos outros poderes e devem fiscalizar as actividades eleitorais e acima de tudo combater os `fake news´.

“Pensamos associar a vós na defesa da democracia. (…) Costumo dizer que a única entidade   capaz de salvar as situações são vocês jornalistas porque os `fake news´ não se combatem com leis (…) cabe a vocês, conjuntamente connosco, tomarmos conta dessa situação”, afirmou.

Em relação aos preparativos para as eleições autárquicas previstas para segundo semestres deste ano, Amadeu Barbosa garantiu que a CNE vem preparando desde 2018 os diferentes intervenientes para que cada vez haja eleições “mais credíveis”.

Para além desta acção de capacitação na Cidade da Praia, em que se notou pouca afluência de jornalistas, facto que Carlos Santos lamentou, os jornalistas do Barlavento vão ter a oportunidade de participar de 4 e 5 do corrente mês em São Vicente numa outra acção.

AM/AA
Inforpress/Fim

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