AJOC assinala 29 anos de existência com mesa redonda

Cidade da Praia, 29 Nov (Inforpress) – A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde promoveu na Praia, uma mesa redonda sobre “o contributo da AJOC para afirmação da profissão de jornalistas e da liberdade de imprensa em Cabo Verde” para assinalar o seu 29º aniversário.

Em declarações à Inforpress, o presidente da AJOC, Carlos Santos, adiantou que o encontro serve para resgatar a história da associação como uma instituição que se afirmou enquanto organismo que tem por objectivo a defesa da profissão jornalística e da liberdade de imprensa em Cabo Verde.

Segundo Carlos Santos, a instituição surgiu em 24 de Novembro de 1990, numa altura em que ainda não havia muita abertura política.

“Ao longo desses anos parece que não é possível fazer-se uma história da imprensa cabo-verdiana, pelo menos dos últimos 29 anos, da abertura democrática até este momento sem ter em conta o papel que o sindicato dos jornalistas tem tido em várias frentes ao nível da legislação para a comunicação social, das decisões que os vários governos têm tomado ao nível das reestruturações das empresas e da formação dos jornalistas”, constatou.

Para o presidente da AJOC, a organização hoje tem tido uma presença incontornável, procurado dialogar com os sucessivos governos, defendido na medida das possibilidades jornalistas cabo-verdianos sempre que esteja em causa algum processo disciplinar ou a liberdade de imprensa.

“Se quisermos ser justos, ao reconstruirmos a história da imprensa cabo-verdiana dos últimos 29 anos da abertura democrática, que tem neste momento, temos que nos atermos ao papel que a AJOC tem tido e que começou por ser uma associação de jornalistas, esteve em várias frentes nos primeiros momentos da democracia da abertura política”, sublinhou.

Adiantou que em 2011, por iniciativas dos próprios jornalistas, a AJOC se tornou num sindicato, com responsabilidades acrescidas sendo que passou a ter um pendor reivindicativo mais acentuado, fazendo com que seja ouvida em matéria da legislação laboral para o sector da comunicação social e tudo que diga respeito ao sector.

A nível interno, Carlos Santos salientou que é preciso fazer o trabalho de reconhecimento junto dos próprios jornalistas de que a AJOC é um sindicato com objectivo, atribuições e responsabilidades que constam da legislação laboral em Cabo Verde.

Por outro lado, assegurou que muitas das vezes, os governos e empresas de comunicação social têm tomado decisões sem ter em conta que existe um sindicato que representa a classe e que a mesma deve ser ouvida, mas realçou que, nos últimos tempos, os poderes já estão mais consciencializados de que existe um interlocutor válido.

Para Carlos Santos, se Cabo Verde hoje está bem cotado nos índices de democracia da liberdade de imprensa deve-se muito também ao trabalho dos jornalistas.

A nível dos desafios, revelou que o principal tem que ver com a questão do financiamento, sendo que é um problema a nível do associativismo ou do sindicalismo em Cabo Verde.

No seu ponto de vista, os trabalhadores precisam ter a consciência de que quando se está filiado num sindicato há compromissos a assumir desde logo a questão do pagamento das quotas, que infelizmente, as pessoas esperam muito da AJOC, mas em contrapartida não têm sido ideal.

“Como sindicato, a AJOC é obrigada pagar consultores para responder a pareceres, em caso de alguma acção disciplinar e judicial contra jornalistas, é obrigada a contrapor uma açcão e terá que constituiu advogados e tudo isso custa dinheiro”, avançou Carlos Santos.

Por outro lado, existem desafios que, no seu entender, decorrem da profissão do jornalista em Cabo Verde que é a questão da precariedade laboral, o funcionamento das empresas privadas sendo que muitas tem tido dificuldades, empresas sem plano estruturados de formação para jornalistas e especialização.

Segundo Carlos Santos, os dados da Comissão Carteira indicam que cerca de 200 pessoas têm carteira profissional e 163 jornalistas estão inscritos na AJOC e pagam regularmente as suas quotas.

O encontro contou com intervenções de José Vicente Lopes, o primeiro presidente da AJOC (1990-1994), Hulda Moreira (2008-2011) e Carla Lima (2011-2018).

AV/CP

Inforpress/Fim

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