Afrolink apresenta-se como um projecto de afirmação positiva dos afrodescendentes em Portugal (c/áudio)

Lisboa, 05 Set (Inforpress) – O Afrolink, lançado em Setembro de 2019, em Lisboa, como um grupo privado no Facebook, pela jornalista Paula Cardoso, tem se apresentado como projecto de afirmação positiva dos afrodescendentes em Portugal.

Em entrevista à Inforpress em Lisboa, Paula Cardoso explicou que o seu ponto de partida está muito ligado à falta de dados em Portugal sobre a presença negra, ou seja, quantos “portugueses negros existem”, para estabelecer ligações e parcerias, reivindicando esse lugar de pertença ao país.

A criadora do projecto disse que o Afrolink surgiu da vontade de “identificar, de visibilizar e de reconhecer o contributo dessa presença negra para Portugal” e por ser da área do jornalismo, mostra-se “bastante consciente” de como as pessoas negras aparecem nos órgãos de comunicação social, de “forma estereotipada”, ou seja, existe pouca presença e quando existe “é negativa”.

“É um projecto de afirmação positiva que tem este cunho muito activista no sentido de identificar uma necessidade e a partir dessa necessidade assumir o compromisso de alguma forma satisfazê-la e tentar ir mais além”, frisou.

Paula Cardoso frisou que a Afrolink tem o propósito de trazer a visibilidade dos profissionais, permitindo que sejam referências e “construir juntos uma narrativa positiva” sobre as experiências, dando o próprio ponto de vista, não só sobre questões raciais.

“O Afrolink surge também com o desafio de ocupar um lugar de opinião e de pensamento que normalmente não está presente no espaço público”, indicou, acrescentando que tudo está sendo construído com o objectivo de combater uma série de estereótipos e criar momentos de interacção inter-racial.

Outra questão considerada “importante” é o acesso a diferentes espaços profissionais, porque o Afrolink tem também a missão de aproximar entidades que reconhecem que a diversidade é uma mais-valia e que pretendem contratar pessoas negras nas mais variadas áreas profissionais, funcionando como interlocutores das comunidades.

“É importante que nós passemos a estar onde até agora outras pessoas falavam sobre as nossas experiências e sermos nós a falarmos na primeira pessoa (…). Foi isso que me motivou, de percebermos que não estamos sozinhos nas nossas lutas diárias e que existem muitas pessoas negras a passar por uma série de desafios que são comuns, permitindo criar uma rede para trabalharmos em conjunto e encontrar caminhos para ultrapassar uma série de dificuldades”, lembrou.

Por ser um projecto que não depende de financiamento externos, o Afrolink tem “bastante liberdade”, mas Paula Cardoso contou que enfrentaram algumas reacções, mas “sem expressões” sobre a pertinência do projecto que promove uma maior representatividade negra, como forma de separar, tendo sempre esclarecido a essência do projecto.

Para além do grupo fechado no Facebook para partilha de oportunidades de trabalho e não só, houve uma evolução para o site que existe desde 29 de Junho de 2020, segundo Paula Cardoso, que aponta como um dos desafios, um espaço para eventos, assim como, no futuro, existe o objectivo de se conseguir financiamento para executar programas de capacitação e desenvolver projectos fundamentais para educação e empreendedorismo.

Em termos de alianças, tem o projecto “O lado negro da força” que na última semana organizaram o “cachupão” como forma de celebrar as conquistas que se vai fazendo.

Da mesma forma, há mais de um ano e uma vez por mês, o projecto tem organizado o “Mercado de empreendedores negros”, que é um espaço em que pessoas negras podem apresentar os seus produtos e divulgar os seus serviços, sendo que neste último fim-de-semana, o mercado esteve no Rio de Mouro (sábado) e no Mercado do Rato (domingo).

DR/ZS

Inforpress/Fim

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