Adevic exorta deficientes visuais a se instruírem por ser este “o único caminho” para a inclusão

Cidade da Praia, 24 Jun (Inforpress) – O presidente da Adevic instou hoje os deficientes visuais a se instruírem, alegando que a escola “é o único caminho” para a socialização e inclusão das pessoas com deficiência.

Marciano Monteiro, que falava à Inforpress no âmbito da celebração do 45º aniversário da Escola dos cegos e déficit cognitivo “Manuel Júlio”, da Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (Adevic), disse que o facto da educação ser o motor de desenvolvimento de qualquer país deve ser garantida a todos de igual forma e sem se violar os direitos garantidos pela Constituição.

“A educação é o motor de desenvolvimento de qualquer país, pelo que em qualquer camada social é a escola que permite a evolução intelectual de cada indivíduo e, de uma forma geral, as pessoas com deficiência visual não estão fora deste caminho”, defendeu, sustentando que as pessoas com deficiência têm trilhado este caminho “com sucesso”.

Porém, devido a algumas limitações a que a escola tem vindo a deparar desde a sua criação em 1977 e oficializada em 1993, Marciano Monteiro admite não ser normal que o número de pessoas da comunidade cega, com ensino básico, secundário e superior, seja de mais de uma centena.

“Temos uma escola a celebrar o 45º aniversário, que pouco evoluiu porque o recurso disponibilizado não é suficiente, acredito que não é por não querer, mas devido a própria circunstância do país”, afirmou, sublinhando que o maior entrave da escola são os recursos financeiros, materiais e recursos humanos.

Perante estas dificuldades o presidente da Adevic realça a existência de várias leis de base que acabam por não funcionar visto que a implementação não é regulamentada.

“O que queremos é que a prática seja equiparada à lei existente, pois, o que a lei diz está acima do que se pratica”, assegurou Marciano Monteiro, pegando na questão do ensino gratuito para pessoas com deficiência desde o ensino básico ao ensino superior como exemplo da prática das leis no país.

O caminho, segundo disse, foi bem feito, mas o destino que são as salas de aula, as situações são complicadas visto que não estão adequadas para acolher pessoas com deficiência para que estes tenham o mesmo acesso na sala de aulas que as outras pessoas.

Apontou também a não existência de rampas de acesso ou elevadores, como uma das barreiras para as pessoas com deficiência poderem aceder às salas de aula situadas no primeiro ou segundo pisos.

Segundo Marciano Monteiro, este é um dos impedimentos que contribui para o desenvolvimento académico e sucesso escolar de uma pessoa com deficiência.

No entanto, para fazer face às dificuldades a Adevic conta com um financiamento da Embaixada do Japão, no valor de nove mil contos, destinado a compra de equipamentos como impressora braille, software de tradução braille e leitor de OCR inteligente, para apoio aos estudantes cegos em Cabo Verde.

Até a presente data a Escola dos Cegos já formou algumas centenas de pessoas, tendo neste ano lectivo cerca de 35 alunos das ilhas de Santiago, São Nicolau, Fogo e Maio.

Em Cabo Verde, existem cerca de cinco mil jovens portadores de deficiência visual ou com déficit cognitivo, sendo que a grande maioria tem a necessidade de reaprender a ser autónoma.

Para assinalar o 45º aniversário, a escola realizou uma “conversa aberta” sobre o papel do jovem no desenvolvimento do país, assim como a apresentação do artigo 16.º (Direito à Educação) do Protocolo à Carta Africana dos Direitos das Pessoas com Deficiência em África.

PC/CP

Inforpress/Fim

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