ADEVIC advoga melhor fiscalização da legislação e criação de condições na implementação da acessibilidade tecnológica

Cidade da Praia, 31 Out (Inforpress) – O presidente da ADEVIC defendeu hoje que é preciso haver uma melhor fiscalização no cumprimento da legislação e criação de condições na implementação a acessibilidade tecnológica em Cabo Verde, visando promover a inclusão digital das pessoas com deficiência visual.

Em declarações hoje à Inforpress, à margem da Conferência Internacional realizada pela Associação Colmeia, na Cidade da Praia, o presidente da ADEVIC, Marciano Monteiro, considerou a questão da acessibilidade como complexa, que requer atenção especial para que não haja a frequente violação da lei.

Lamentou que a fiscalização da legislação sobre a acessibilidade, um tema que já foi debatido várias vezes, esteja a falhar, apontando que as novas construções que estão a surgir não têm cumprido na íntegra e respeitado os aspectos que promovam a inclusão social.

“A fiscalização está a falhar e de que maneira, porque há novas construções a nascer, mas com grande deficit na questão da acessibilidade: Têm casas de banho que não são adaptadas, sem uma rampa de acesso e quando há uma rampa ela é feita de maneira que foge totalmente do padrão indicado”, afirmou.

O responsável da ADEVIC defendeu, por outro lado, que a questão da acessibilidade, para além de física, deve ser abordada também no panorama das tecnologias, afirmando que, neste contexto, a acessibilidade tecnológica, que está a dominar o mundo, representa ainda um enorme desafio para o país.

“Eu não tenho por exemplo confidencialidade com a minha conta bancária, mas conheço colegas de outros países que já não têm esses problemas porque os sites são adaptados em que as pessoas com deficiência visual conseguem fazer as suas movimentações bancárias sem auxilio de ninguém”, apontou, ressalvando que Cabo verde está longe de concretizar este passo que mexe muito com a vida das pessoas com deficiência visual.

Por seu turno , o bastonário da Ordem dos Engenheiros de Cabo Verde, Victor Coutinho, afirmou que a temática da acessibilidade requer um engajamento de todos os actores da sociedade civil, defendendo que a melhor integração e promoção da inclusão social passa pela “acessibilidade universal”.

Em termos de acessibilidade física, disse que Cabo Verde tem
registado grandes avanços, mas que é preciso uma mudança de comportamento dos cidadãos e implementação de politicas que promovam a construção de cidades com mobilidade para todos.

Neste sentido, indicou que para que a fiscalização funcione é preciso haver aprovação, fiscalização construção e vistorias na promoção de uma cidade cada vez mais resiliente e inclusiva.

“É fundamental que haja uma ruptura comportamental e institucional com velhas práticas, corrigir as práticas antigas e escolher novos horizontes. E acho que o que falta é determinação das pessoas e comprometimento dos técnicos sobre a questão da acessibilidade no país”, sublinhou, frisando que tem havido violação da lei dos que aprovam, constroem fazem vistorias e licenciam construção de infra-estruturas que não primam pela promoção da inclusão social.

CM/JMV

Inforpress/Fim

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