ADAD aponta diminuição de capacidade de produção como “maior desafio” do País no sector das pescas

Cidade da Praia, 21 Nov (Inforpress) – A ADAD pediu hoje aos governantes para se consciencializarem sobre a importância da transparência no sector das pescas, apontando a diminuição de capacidade de produção como “maior desafio” a ser ultrapassado por Cabo Verde no sector.

A posição foi manifestada pelo representante da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD), Paulo Varela, em entrevista à Inforpress, à margem do workshop do projecto “Redução do impacto de infra-estruturas sobre ecossistemas costeiros na África Ocidental” e apresentação dos resultados do projecto “Agricultura e segurança alimentar”, que principiou sexta-feira, 21, e termina hoje, na Cidade da Praia, promovido pela ADAD.

Este responsável, destacou a importância de se apostar na transparência no sector das pescas, que considerou um tema “interessante e caro” naquilo que deve ser a sintonia entre a comunidade piscatória e o Estado relativamente a gestão dos recursos marinhos.

Segundo disse, o Estado, enquanto gestor dos recursos, deve partilhar todas as informações com as comunidades e os agentes que representam a comunidade piscatória, reconhecendo, no entanto, que em matéria de transparência nas pescas, Cabo Verde já iniciou o processo de consciencialização sobre a sua importância, mas que ainda existem “muitos aspectos que precisam ser melhorados”.

“Durante os últimos anos, temos diminuído a nossa relação com os extensionistas de pescas, que são considerados funcionários do Estado, que têm vindo a perder as suas funções porque temos colocado a gestão do sector nas mãos do sector privado, que, por sua vez, não cumpre algumas funções que cabe ao Estado desempenhar”, disse, defendendo que o Estado deve apostar na formação e capacitação dos extensionistas, de forma a dar continuidade ao processo existente.

O representante da ADAD defendeu, por outro lado, a necessidade de haver uma intervenção de actores da comunidade piscatória no processo de preparação e negociação dos acordos de pescas para “reforçar e garantir mais transparência”.

Paulo Varela frisou ainda que os acordos de pesca que Cabo Verde tem elaborado e firmado com parceiros internacionais “têm prejudicado a comunidade piscatória cabo-verdiana”, porque “não há um seguimento ou fiscalização eficaz do processo”.

Afirmou que “o maior desafio” é com a diminuição da capacidade de produção, pelo que afiançou, o País terá que ajustar as suas capacidades aos novos desafios existentes, relativamente a verificação da redução de stocks no sector das pescas.

“É preciso haver um ajustamento criando nova condições e remontando o próprio sistema e para isso são necessários recursos e é a falta desses recursos que tem afectado a comunidade piscatória (…) Por isso, é preciso que o diálogo entre o Estado e a comunidade seja reforçado”, finalizou.

CM/AA

Inforpress/Fim

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