Acrides defende intervenção da sociedade civil no combate ao abuso e exploração sexual

Cidade da praia, 23 Nov (Inforpress) – A presidente da Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides), Lourença Tavares, defendeu hoje uma intervenção da sociedade civil para que realmente haja um combate eficaz ao abuso e exploração sexual em Cabo Verde.

Lourença Tavares falava à imprensa à margem da formação ‘online’ “Reforço de Mecanismos e Sistemas de Protecção de Crianças contra a Exploração e o Abuso Sexual em Cabo Verde” e que decorre de hoje até sexta-feira, na Cidade da Praia.

A acção formativa, avançou, é destinada aos membros das redes de protecção e está inserida na primeira fase do projecto “Reforço das capacidades dos profissionais de prevenção e combate contra o abuso e exploração sexual”.

De acordo com esta responsável, este evento responde, assim, a necessidade de se apostar na capacitação dos membros e coordenadores das redes, sobretudo no que tange os direitos das crianças, os sinais nas vítimas de violência e a garantia no acompanhamento e suporte às famílias das vítimas.

Lourença Tavares avançou, neste sentido, que numa primeira fase foram criadas seis redes dinâmicas e já foram reactivadas mais três redes pelo que Cabo Verde passa a contar com nove redes locais.

Relativamente a situação do país em matéria de combate ao abuso e exploração sexual de menores, defendeu m maior engajamento da sociedade civil para que, realmente, o combate seja eficaz, apontando igualmente, a importância de o Governo abraçar esta causa.

“Para um combate na prática contra a violência sexual, falta uma intervenção da sociedade civil, o ideal neste momento é sentir o Governo a nos apoiar, apoiar as redes locais,” frisou, sublinhando que essas redes de protecção surgiram de forma espontânea e são compostas por profissionais, psicólogos e assistentes sociais, que têm dado o seu contributo de forma voluntária na abordagem e acções relacionadas com essa temática.

A presidente da Acrides reconheceu, entretanto, que a sociedade cabo-verdiana está mais consciente sobre a importância da luta contra o abuso e exploração sexual de crianças, tendo referido que o registo de denúncias representa o sinal dessa consciencialização.

Frisou, por outro lado, que se Cabo Verde tivesse de 2001 a esta parte, seguido as recomendações do Comité Internacional sobre a importância da elaboração do plano nacional de prevenção e combate ao abuso e a exploração sexual de crianças, muitos casos teriam sido evitados.

“Não teríamos o caso da Jussara, não teríamos os casos de Santo Antão”, exemplificou realçando, contudo que o país ainda vai a tempo de se fazer valer das referidas recomendações e que para isso será necessário continuar a agir na construção de homens e mulheres sãs no futuro.

“A criança é futuro e Cabo Verde depende do futuro, temos que ter homens e mulheres sãs para o futuro do País”, precisou.

TC/CP

Inforpress/fim

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