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“Acredito que ser mulher me faz uma diplomata melhor” –  diplomata dos EUA

Cidade da Praia, 26 Mar (Inforpress) –  A encarregada de negócios da Embaixada dos Estados Unidos da América, na Praia, disse hoje que não é ser diplomata que lhe faz uma “mulher fenomenal”, mas sim ser mulher é que lhe faz uma “diplomata melhor”.

Marissa Scott falava à margem de uma conferência sobre “Mulheres na diplomacia”, realizada pela Escola de Negócios e Governação da Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia,  no âmbito da semana de Relações Públicas, em que teve oportunidade de falar da sua experiência.

Segundo disse, ser diplomata nunca foi uma coisa que ela queria e sequer sabia o que era um “diplomata”, mas aos poucos foi descobrindo esta profissão, que é mais desempenhada pelos homens.

“Quase 16 anos de experiência na diplomacia,  ainda estou descobrindo o que é um diplomata. Eu não acredito que ser um diplomata  faz-me  uma mulher fenomenal,  mas eu acredito que ser mulher faz-me uma diplomata melhor”, afirmou.

Falando um pouco do seu país,  Marissa Scott informou que as mulheres podiam ingressar no corpo diplomático desde 1920, mas caso quisessem casar elas tinham que rescindir, uma forma que, considerou, d eo Governo americano “travar a carreira das mulheres”.

Entretanto, somente a partir de 1972, indicou, as mulheres casadas puderam ter a oportunidade de participar da política externa dos Estados Unidos.

“Apesar de não ser mais o caso nos Estados Unidos, ainda temos um longo caminho pela frente. As mulheres representam cerca de 40por cento (%) do Serviço Exterior dos Estados Unidos. No entanto, representamos menos de 1/3 dos embaixadores dos Estados Unidos. A percentagem é muito menor quando se trata das mulheres de cor”, avançou.

Na sua primeira missão, quase 15 anos atrás, recordou, perguntou a uma oficial superior se ela estaria disposto a lhe orientar e lhe ajudar a navegar na sua carreira no Serviço Exterior, e ela respondeu “orientação é uma forma de dependência”.

“Infelizmente, tenho que admitir que, às vezes, outras mulheres são os maiores obstáculos para o avanço nessas áreas.  Elas geralmente sentem que, visto que tiveram que lutar, se esforçar e sofrer, outras também devem”, disse, afirmando logo teve de aprender a seleccionar cuidadosamente o seu círculo interno de conselheiros.

Também, continuou, disse ter apreendido que seus mentores e instrutores não precisam ser pessoas que se parecem com ela, mas que “só precisam ter” o seu sucesso e desenvolvimento profissional como meta.

Ainda durante a sua função, recordou, houve momentos que homens lhe abordavam por ser uma jovem diplomata e solteira, acreditando que ela lhes daria mais do que a sua contribuição ou análise inteligente sobre um assunto.

Para a mesma fonte, ainda as mulheres são “objetivadas” nas suas carreiras como diplomatas.

Esta diplomata, que passou boa parte do seu tempo na África Subsariana, considerou que   Cabo Verde não está indiferente aos outros países em que esteve, pois as mulheres têm feito “um grande trabalho” para elevar a participação delas na diplomacia.

Entretanto, desafiou-as a fazer mais porque querem que as oportunidades se estendam muito mais além do trabalho doméstico, mas em áreas como a politica, negócios ou academia.

“É importante ter a mulher à mesa, porque com a mulher à mesa a conversa começa a mudar. É importante garantir que as mulheres não tenham vidas marginais, mas que elas sejam parte da solução. Elas estão capacitadas para fazer perguntas e estão ajudando a encontrar soluções. Estamos a começar a ver isto em Cabo Verde e queremos ver muito mais lá fora”, frisou.

Presente na conferência, o diplomata e embaixador Jorge Tolentino aproveitou para fazer um apelo no sentido de haver mais participação das mulheres nessa carreira.

Segundo disse, neste momento a percentagem de mulheres cabo-verdiana na carreira de diplomata “é muito baixa”, ou seja “não chega a 30 por cento (%)”.

“É uma urgência. Acredito que, brevemente, terá concurso de ingresso na carreira de diplomata e eu estou aqui há fazer um apelo no sentido de haver candidatas a essa carreira. Temos tido mulheres a chefiar missões diplomáticas fora de Cabo Verde (…), mas falta agora fazer aumentar essa presença das mulheres”, apelou.

AM/AA
Inforpress/Fim

 

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