Acordo cambial ajuda Cabo Verde a sustentar impacto da crise a nível internacional – responsável

Cidade da Praia, 11 Mar (Inforpress) – O director nacional do Planeamento, Gilson de Pina, assegurou hoje que caso Cabo Verde não tivesse o acordo cambial com Portugal seria difícil sustentar o impacto da crise provocada pela pandemia e agora com a guerra.

Gilson de Pina fez essa afirmação à Inforpress quando falava de aspectos do acordo cambial e em resposta à pergunta se com a pandemia, e agora, a guerra na Ucrânia, Cabo Verde poderá manter a estabilidade dos compromissos assumidos a este nível.

“A estabilidade cambial nos ajude a ter espaço e segurança já que nos ajude a oferecer credibilidade aos parceiros e segurança a nível de continuação de investimentos. Apesar de haver uma preocupação genérica, com Cabo Verde isso não se põe em causa já que foram tomadas medidas de políticas macroeconómicas para garantir a estabilidade”, disse.

Neste âmbito, o director nacional do Planeamento afirmou que as medidas implementadas a nível do acordo cambial ajudarão a fazer frente ao impacto que possam surgir com as crises, apesar de admitir que possa haver repercussão de algum modo.

“Não vamos dizer que Cabo Verde não será afectado, mas iremos tentar ao máximo concretizar os compromissos internacionais a nível da estabilidade da dívida, através de uma gestão orçamental prudente, não permitindo escalada a nível do défice, mas manter, no essencial, boa dinâmica para podermos cumprir com os nossos indicadores”, ressaltou.

Quanto aos problemas que poderão surgir devido à crise com a pandemia e agora com a guerra, Gilson de Pina afirmou que o facto de Cabo Verde ser um país muito dependente da economia externa, visto que a produtividade interna é fraca para cobrir as necessidades e com a escalada de preços a nível internacional, poderá sentir-se pressionado.

“O país sentirá pressionado, primeiro no custo de produção interna, já que as matérias primas estão mais elevadas, logo isso irá afectar a produção das nossas empresas, mas também temos a outra parte que é o rendimento das famílias que poderá afectar a gestão das Finanças Públicas”, destacou.

Face a tudo isso, Gilson de Pina reconhece que a pressão levará a que o país tenha de optar por outras medidas a nível fiscal e orçamental.

O Acordo de Cooperação Cambial entre Cabo Verde e Portugal (ACC) foi assinado em 1998, na cidade da Praia, pelo então ministro das Finanças de Portugal, António de Sousa Franco, e pelo então ministro da Coordenação Económica de Cabo Verde, Gualberto do Rosário.

Através da assinatura do acordo estabeleceu-se, por um lado, uma ligação de paridade fixa entre as moedas dos dois países e, por outro lado, garantiu-se a convertibilidade do escudo cabo-verdiano através de uma linha de crédito disponibilizada por parte de Portugal.

A partir da assinatura do ACC, a política monetária passou a orientar-se para o objectivo primário de estabilidade de preços e do reforço das reservas externas, com vista à defesa do regime cambial de peg fixo unilateral.

PC/CP

Inforpress/Fim

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