Achada Igreja: Óleos, ervas, sementes e plantas de ornamentação são oportunidade de negócio

Achada Igreja, 18 Out (Inforpress) – A busca por produtos mais saudáveis e feitos sem agredir o ambiente tem saltado do campo alimentar para o de cosméticos e pessoas já vêm desenvolvendo, dentro de casa, óleos essenciais como alternativas naturais aos disponíveis no mercado.

É o caso de Ana Maria dos Santos Tavares, “Ana di Pico”, conhecida há décadas no município de São Salvador do Mundo, e além-fronteiras, pela sua actividade de produção e venda de óleos essenciais, ervas, sementes, e plantas ornamentais e que instalou o seu negócio frente à sua residência na rua principal de Achada Igreja, concelho de São Salvador do Mundo.

A casa de “Ana di Pico” virou ponto de paragem obrigatória para quem segue viagem para lá do interior da ilha de Santiago.

Em entrevista à Inforpress, Ana di Pico adiantou que a produção e venda de óleo de rícino, azeite de purga, sementes de moringa, de calabaceira, cascas de beringela e plantas ornamentais são uma tradição herdada dos pais e que, há mais de quatro décadas, se transformou no sustento da sua família.

“Foi através desta actividade que consegui com que os meus sete filhos estudassem e tivessem a vida que têm hoje”, explicou.

“É um trabalho maçador e que leva bastante tempo para ser produzido (mais de 12 horas) mas é o que eu gosto de fazer”, acrescentou, adiantando que, além de lucrar e de se sentir activa, também acredita tratar-se de uma forma de ajudar o próximo.

Segundo a mesma, o azeite de purga serve no tratamento de dores de barriga, no corpo, no fortalecimento, crescimento do cabelo, na protecção e manchas na pele. Para extrair óleo de rícino que serve para tratamentos diversos a entrevistada disse utilizar uma semente conhecida nesta povoação por “djaguidjagui”, como matéria-prima.

Além de óleos essenciais, Ana dedica-se à plantação de ervas e plantas ornamentais. A matéria-prima é recolhida pela mesma nos vales e ribeiras do interior do Santiago.

Apesar da crise provocada pelo novo coronavírus, Ana adianta que, ainda assim, o negócio consegue ter saída embora de forma reduzida. Os clientes de Ana di Pico são essencialmente emigrantes, turistas, nacionais e “rabidantes” que, segundo a mesma, já conhecem os seus produtos.

O uso de ervas medicinais na cura de doenças remonta aos tempos ancestrais e seu emprego na medicina popular sempre foi muito difundido. Neste sentido, Ana garante que o produto que ela comercializa há vários anos é 100% natural, podendo ser utilizado em adultos como em crianças conforme indicação.

“Nunca tive qualquer reclamação dos meus clientes, muito menos que o produto tenha tido efeito contrário, até porque é indicado e recomendado por médicos”, esclareceu Ana di Pico que, entretanto, chama atenção para o facto de, mesmo medicamentos feitos à base de ervas, poderem ter efeitos colaterais em potencial e devem ser usados sob orientação.

Apesar de considerar que esta prática já entrou em desuso, acredita que devia ser explorada pelas autoridades de saúde e universidades.

Ana di Pico, aposentada da Câmara municipal de São Salvador do Mundo, nascida e criada em Achada Igreja, disse que pretende estender esta prática aos filhos e netos.

Hoje com 63 anos, nutre o sonho de expandir o negócio e conquistar outros mercados e, para conseguir este feito, Ana disse estar à procura de financiamento para adquirir uma máquina de transformação e, para ajudar na realização deste sonho, filhos e netos uniram-se para iniciar um projecto de negócio a que deram o nome de “Natur’Ana”, ideia inspirada no nome da matriarca.

Para dar ponta pé a esta ideia a filha de Ana inscreveu o projecto de negócio na 5ª edição do programa Startup Jovem e hoje faz parte da lista das dez ideias empreendedoras a aguardar resultado final.

CS/HF/DR

Inforpress/Fim

 

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