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Acesso à saúde de qualidade em Cabo Verde não é igualitário e peca na linguagem para acessibilidade, diz estudo (c/áudio)

Cidade da Praia, 22 Jun (Inforpress) – O acesso à saúde de qualidade em Cabo Verde “ainda não é igualitário” e peca com a questão da acessibilidade em que os modelos de comunicação “não levam em consideração” a linguagem gestual e braille, segundo estudo da CNDHC.

A informação foi avançada pela presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC), Zaida Freitas, em declarações à imprensa sobre o estudo diagnóstico “Exercício da Cidadania em Saúde em Cabo Verde”, que hoje está sendo socializado com os parceiros nacionais e internacionais, com vista à recolha de subsídios para a sua conclusão.

Conforme a presidente da CNDHC, o País apesar de ter tido “ganhos significativos” em termos de saúde, nomeadamente, no que diz respeito à criação de novas estruturas de saúde e recrutamento de pessoal qualificado, ainda conta com um défice “muito grande” no sector, sobretudo, nas ilhas mais periféricas onde o acesso a consultas de especialidade é “complicado”.

“Percebemos com o estudo que o acesso à saúde de qualidade ainda não é igualitário, ou seja, nem todos acedemos de igual forma à saúde. Aqui falamos dos grupos mais vulnerabilizados pelo sistema, falamos de pessoas com baixa renda e mais pobres, com doença mental, idosos, e pessoas com deficiência de alguma forma não acedem de melhor forma ao sistema de saúde”, disse.

Para além do défice no acesso igualitário, Zaida Freitas avançou que o estudo revela que a acessibilidade, tendo em conta os vários modelos de comunicação, necessita ser melhorada introduzindo-se a linguagem gestual e o braille para que o acesso à saúde seja, cada vez, mais inclusivo.

A questão da literacia em saúde, segundo disse, é também um conceito que surge no estudo com alguma preocupação, indicando que o cabo-verdiano em geral, sobretudo, as pessoas mais idosas ou mais excluídas, tendem a ter uma menor literacia na saúde.

“Isso mostra que nos falta ainda competências cognitivas e sociais para que possamos promover melhor a nossa saúde, melhores autocuidado e cuidado para com os outros e para que sejamos cidadãos, cada vez mais activos quer na definição ou implementação das políticas públicas na saúde”, prosseguiu.

A presidente da CNDHC, referiu ainda que o estudo aponta para uma necessidade de uma abordagem na saúde baseada em direitos humanos.

Para esse desiderato, sublinhou a necessidade de uma concertação permanente entre os vários intervenientes na saúde relacionados com o saneamento básico, alimentação, acesso ao emprego e nível de vida minimamente satisfatório, para que possa haver interferência na saúde dos cabo-verdianos.

“Este estudo aponta ainda por alguma insatisfação, sobretudo, das associações comunitárias, relativamente ao acesso de grupos específicos com quem trabalham ao sistema de saúde. Assim como uma maior necessidade de uma humanização dos serviços, voltada para as pessoas que necessitam de um cuidado especial”, afirmou.

O estudo, cuja elaboração contou com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tem como principais objectivos avaliar o exercício da cidadania em saúde em Cabo Verde, comparando o período pré e o abrangido pela pandemia de covid-19.

Pretende-se ainda com o estudo fazer um diagnóstico da efectivação do direito à saúde em Cabo Verde, avaliar o nível de satisfação dos cidadãos relativamente à qualidade dos serviços de saúde, apresentar recomendações sobre medidas e políticas públicas a adotar com vista à melhor efectivação do direito à saúde.

PC/ZS

Inforpress/fim

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