“A Matriarca” – Homenagem da autora Vera Duarte a seus pais e às mulheres cabo-verdianas

 

Espargos, 07 Out (Inforpress) – A escritora Vera Duarte partilhou esta sexta-feira na ilha do Sal o seu mais recente trabalho literário intitulado “A Matriarca”, um romance polifónico que dá voz a várias gerações, em homenagem a seus pais e às mulheres cabo-verdianas.

Segundo Vera Duarte, a narrativa do livro “A Matriarca” – Uma Estória de Mestiçagens”, que contou com a apresentação de Daniel Medina, Francisco Tomar e Josiano Nereu, no Centro Cultural de Santa Maria, passa-se na ilha do Sal, em Santa Maria, mas também na Praia, São Vicente, Santo Antão e em países da diáspora cabo-verdiana, como o Brasil, França, em diversos palcos… em homenagem a seus pais e à mulher cabo-verdiana, que acabam muitas vezes por assumir como mulheres chefe de família, criação dos filhos, e acabam por ser verdadeiras matriarcas.

“Sinto-me realizada com este segundo romance e, sobretudo, muito feliz por o primeiro lançamento ser aqui na ilha do Sal, porque o livro faz também uma homenagem aos meus pais. O meu pai já é falecido, a minha mãe está viva e vai fazer essa bela idade de 90 anos, então, com isso, quero lhes fazer uma homenagem, com o primeiro lançamento no Sal, em Santa Maria, onde começaram, há muitas dezenas de anos atrás, a sua vida em conjunto”, explicou.

Tratando-se de um livro de escrita “leve” e de “fácil leitura”, que aborda questões da nossa contemporaneidade a autora apela os jovens a lê-lo, já que atraente também para o público juvenil.

“É uma escrita que trata de assuntos sérios mas de uma forma leve”, apontou.

Nesta viagem pelas mãos da escritora Vera Duarte, Daniel Medina disse que trata-se de um romance “verdadeiramente interessante” porque cruza sentimentos de identidades culturais de Cabo Verde, as vivências todas e desfaz também alguns tabus.

“É uma questão para uma profunda reflexão. Fala das mestiçagens, dos cruzamentos de raça e até de mentalidades, do racionalismo cristão, adultério, numa outra perspectiva, discriminações, encontros e desencontros de amor, enfim… uma plêiade de situações que são vivenciadas por pessoas como nós, aqui em Cabo Verde, que têm uma mestiçagem, uma identidade cultural completamente dispersa”, observou.

Francisco Tomar, por sua vez, destacou na sua apresentação, o aspecto da emancipação da mulher, da luta da mulher cabo-verdiana para a sua autonomia e afirmação na sociedade.

“O livro entusiasmou-me não só do ponto de vista de leitura como de concepção. É um livro de leitura fácil e recomendável”, instigou.

Josiano Nereu, para quem é uma responsabilidade apresentar uma obra de Vera Duarte, fazendo uma sinopse da narrativa, debruçou-se um pouco sobre a mestiçagem e as heranças do povo cabo-verdiano.

“Resta-me sugerir a leitura deste livro, verdadeiramente um diamante multifacetado. Para além de tudo que foi dito, fala de xintadas, casamento e adultério, de desfortuna de noivos, de política e políticos, sessões espiritas, por fim, a inevitabilidade do amor que acaba com um tão esperado reencontro”. distinguiu.

Depois da ilha do Sal, a “Matriarca – Uma Estória de Mestiçagens” vai ser apresentada a 12 de Outubro, quinta-feira, às 18:00, na Cidade da Praia, no Centro Cultural Português com apresentação da escritora Fátima Bettencourt e pelo professor Daniel Medina.

SC/CP

Inforpress/Fim

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