“A luta contra a discriminação é um dos grandes desafios dos direitos humanos no século XXI” – responsável da Amnistia Internacional

Assomada, 25 Jan (Inforpress) – O director executivo da Amnistia Internacional de Portugal disse hoje que a luta contra a discriminação, quer política, ideológica, racial quer de origem étnica e geográfica, é um dos grandes desafios dos direitos humanos no século XXI.

Pedro Neto falava durante uma conferência intitulado “Direitos Humanos e Migrações no século XXI – desafios e tendências”, em Assomada, Santa Catarina (ilha de Santiago), no âmbito de um périplo de uma semana de os direitos humanos a Cabo Verde.

Falando da discriminação na perspectiva da migração e tomando como exemplo Portugal e Europa, o responsável afirmou que a questão dos refugiados, que outrora eram “assuntos longínquos”, hoje bateu à porta, sobretudo com os conflitos na Síria, sublinhando a propósito que a Europa está a acolher os refugiados de uma forma “vergonhosa”.

“As políticas públicas de acolhimento aos refugiados construíram uma crise humanitária”, disse, sustentando que essa crise era ” um problema tão fácil de resolver”, tendo em conta que “o número de refugiados à porta da Europa não são mais de que 1 a 2 por cento (%) da população europeia”.

Nesse sentido, afirmou que ” acolher 1 ou 2 % de pessoas não custa nada, se se fazer um trabalho bem feito e bem articulado”, em termos da administração pública e bem dividido entre todos os países.

“A falta de vontade política para fazer isto bem feito causou o drama humanitário que já perdura há mais de oito anos, e a cada Verão continua a ser, tendo em conta que é altura que o Mar Mediterrâneo fica mais calmo e muitas pessoas tentam fazer essa travessia que é muito perigosa”, lamentou.

Esta crise, que considerou de “artificial”, faz com que algumas pessoas entrem na política para instrumentalizarem este discurso [discriminatório] para atacarem os refugiados, os negros, os mexicanos, os estrangeiros, os ciganos e todas as pessoas que são diferentes.

Tudo isso, indicou, para poderem “dizer mal deles e para os pintar como “criminosos, terroristas e malandros”, ou seja, ajuntou, que esses políticos atacam essas pessoas porque não têm voz [alguém] para os defender e por não terem direito ao contraditório, acto que diz “envergonhar a todos” por se estar a violar os direitos que constam na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Este discurso e essa narrativa de alguma extrema-direita que já se está a infiltrar nas instituições para fazer valer àquilo que acredita não pode ser, porque eu tenho direito a acreditar no que quiser (…), é isso que está a acontecer em todo mundo”, enfatizou.

Pedro Neto, que fez saber que Cabo Verde e Portugal têm muitas semelhanças entre si no que tange aos desafios dos direitos humanos no século XXI, afirmou ter notado “que há alguma discriminação na entrada de emigrantes da costa acidental africana no arquipélago e ainda discriminação no que diz respeito ao género, que tem feito com que as mulheres continuassem na pobreza.

Na ocasião, com uma sala apinhada de alunos, o responsável da Amnistia Internacional falou dos direitos humanos de uma forma geral e da própria instituição da qual faz parte.
Relativamente aos direitos humanos, para resolver as questões e os desafios que estão sendo postos em causa no século XXI, pediu que se leve sempre em conta a questão da justiça, que, ao seu ver, vai permitir que todos tenham certos “direitos dignos e inalienável”, mormente direito à educação, à alimentação, à habitação, à identidade e à circulação para que a pessoa possa trabalhar e viver em busca da sua felicidade, vocação e realização pessoal.

Pedro Neto, que informou que a Amnistia Internacional ainda não se encontra em todos os países por causa de recursos financeiros, admitiu na altura a possibilidade de Cabo Verde vier a ter uma representação daquela ONG internacional.

FM/JMV

Inforpress/Fim

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