A condição feminina em Cabo Verde ainda enfrenta “grandes desafios” – primeira-dama 

Mindelo, 17 Mar (Inforpress) – A primeira-dama disse hoje, no Mindelo, que a condição feminina no País ainda enfrenta “grandes desafios”, daí a necessidade de adoptar políticas públicas “mais assertivas” para a redução da desigualdade, discriminação e violência contra a mulher.  

Débora Katisa Carvalho teceu estas considerações na abertura do fórum sobre “educação para a cidadania e igualdade de género” realizado na manhã de hoje, no Mindelo, pelo Observatório de Cidadania Activa, enquadrado nas actividades de “Março-Mês da Mulher”. 

Segundo a mesma fonte, tem havido mudanças nas quais a mulher “começa a sentir os seus direitos de forma diferenciada e com os valores a serem respeitados”, através de políticas adoptadas pelo Governo e representado Instituto Cabo-verdiano para Igualdade e Equidade de Género (ICIEG). 

“Não obstante alguns ganhos conseguidos, a condição feminina enfrenta ainda grandes desafios”, sustentou, enumerando, entre as causas, a violência doméstica. 

Por isso, defendeu Débora Carvalho, as diversas reflexões feitas neste mês de Março – Mês da Mulher devem servir para “fomentar maior consciencialização” de que “urge adoptar políticas públicas mais assertivas para a redução da desigualdade, da discriminação e da violência contra a mulher”.  

A primeira-dama falou ainda de uma “atitude preventiva” para evitar casos de violência e que deve ser baseada na educação. 

“Trabalhando as crianças de hoje para serem os homens e mulheres de amanhã, com forte intervenção na base, através do nosso sistema de ensino, com efeito para que haja alteração de consciência e de mentalidade”, considerou a mesma fonte, para quem é preciso um “querer individual” para fazer a diferença e que se completa com a “vontade social”. 

Incidindo também sobre a questão de trabalhar sobre os mais jovens, o presidente do Observatório de Cidadania Activa, Orlando Lima, considerou haver “sinais preocupantes” detectados, principalmente nas crianças, que leva à necessidade de repensar a cidadania. 

“Apesar de todo o esforço, que tem sido feito, a educação para a cidadania não está a colher bons frutos, pelo que o desafio é grande e estamos todos convocados a dar a nossa contribuição nessa luta”, sustentou, adiantando que, caso contrário, haverá uma geração “sem referências, descaracterizada nos princípios, valores e práticas e pondo em risco os pilares da sociedade”. 

No mundo “dominado pelas tecnologias e crises” é, segundo a mesma fonte, de “extrema importância” praticar o diálogo “principalmente na família”.   

O fórum nacional sobre “educação para a cidadania e igualdade de género”, que decorre durante o dia de hoje na Faculdade de Educação e Desporto (FaED), no Mindelo, abordará ainda sub-temas como “o papel do sistema educativo na promoção da educação para a cidadania” e “igualdade de género – desafios e conquistas”. 

Pretende ainda reflectir sobre a auditoria participativa na implementação da lei da Violência Baseada no Género (VBG) mostrando desafios e propondo soluções. 

Por último, o debate incidirá sobre “o papel das Organizações Não Governamentais (ONG) no empoderamento das mulheres”, centrando sobre a experiência da Associação de Apoio à Auto-Promoção da Mulher no Desenvolvimento – Morabi. 

O encerramento do evento será feito pela presidente da Assembleia Municipal de São Vicente, Dora Pires. 

LN/HF

Inforpress/Fim 

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