Fogo: Este é o momento de todas as decisões para Chã das Caldeiras – Primeiro-ministro

 

São Filipe, 26 Abr (Inforpress) – O primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, disse terça-feira durante apresentação do plano de emergência do ordenamento de Chã das Caldeiras que este é o momento de todas as decisões para aquela localidade da ilha do Fogo.

“Temos que optar e decidir se queremos manter a mesma forma, os mesmos problemas, ou se queremos ir à luta e vencer, acreditar nas nossas capacidades e valorizar aquilo que temos”, disse o primeiro-ministro, para quem Chã das Caldeiras é um factor de riqueza, primeiro porque a sua gente é conhecida e reconhecida como “empreendedora, resiliente e que ultrapassou todas as dificuldades”, reconstruindo sobre as lavas e repor a vida, numa grande lição para Cabo Verde.

Outra grande riqueza, segundo Ulisses Correia e Silva, é a natureza, o vulcão, a terra que dá tudo, a capacidade de produzir, criar riqueza, mas lembrou que isso não basta, porque este o momento de dar o salto.

Nas condições actuais Chã das Caldeiras cria potencial de riqueza que oscila entre os 200 a 300 mil contos/ano, valor que poderá ser duplicado, somente nos sectores de produção agro-alimentar e de vinicultura, e se adicionar o turismo poderá chegar a mais de um milhão de contos/ano.

Para o chefe do Governo, é necessário ter ambição porque não basta ter a natureza, pois ela pode ser estragada, observando que é necessário garantir condições de organização, de ordenamento, planeamento e equilíbrio entre a ocupação humana (ter as casas, as actividades) com a valorização do espaço, criando muita riqueza para gerações actuais e as futuras.

Ulisses Correia e Silva entende ainda que um dos princípios foi o plano de ordenamento que define as regras de ocupação, de construção, carga populacional, indicando que Chã não poderá ter cinco mil pessoas, mas o máximo de mil pessoas.

O plano concilia a ocupação de casas com as zonas de redondeza de vulcão, prevê a construção de mais 50 habitações de acordo com o ambiente e com a garantia de segurança, porque a responsabilidade é uma matéria número um do Estado em situações de eventual erupção.

Ulisses Correia e Silva, que garantiu o investimento na reabilitação e adequação das construções existentes ao modelo que foi estabelecido no plano, assevera que serão construídas mais 50 casas, sendo que as novas só o serão com autorização prévia de modo a garantir a segurança e manter a qualidade de Chã das Caldeiras.

Este propôs um pacto social entre a população e o Estado em que de um lado as populações, que são as primeiras interessadas em defender os interesses da comunidade vão funcionar como guardião para preservação do espaço, enquanto o Estado vai garantir a segurança e as condições de boa convivência em Chã das Caldeiras, com ganhos recíprocos.

Este assegurou ainda que o Governo, através do plano de emergência e de ordenamento de Chã, vai levar de forma organizada e planeada as infra-estruturas como escolas, jardins infantis, posto policial, delegação municipal, cujas instalações provisórias estão a ser montadas na Caldeira, assim como o edifício sede do Parque Natural que está também equacionado no plano.

“Não podemos correr o risco de numa próxima erupção repetir novamente as mesmas coisas e todo o esforço de investimento ir para baixo”, disse Ulisses Correia e Silva, para quem “é fundamental” o comprometimento da comunidade.

“Ou agarramos agora ou perdemos a oportunidade”, disse, lembrando aos habitantes de Chã das Caldeiras que os parceiros de desenvolvimento não estarão disponíveis para sempre para colaborar se não se fizer as coisas correctamente.

“Estamos fortemente empenhados em dar respostas estruturantes à situação de Chã para passarmos de situação de emergência para o desenvolvimento”, disse o chefe do Governo para quem o tempo foi o necessário para equacionar as soluções para a situação de Chã das Caldeiras.

O plano, que após a sua apresentação em Chã das Caldeiras vai estar, até 15 de Maio, em consulta pública para recolha de subsídios nesta localidade, nos Paços do Concelho de Santa Catarina (Cova Figueira) e nas instalações do Ministério das Infra-estruturas, na Cidade da Praia, define área para novas construções, para agricultura, as alternativas para a rede viária, tipologia de construções e um conjunto de informações úteis para ordenamento de Chã, devendo ser implementado dentro de seis meses.

Foi elaborado por uma equipa multidisciplinar, envolvendo técnicos do Ministério das Infra-estruturas, Ordenamento do Território e Habitação (MIOTH), Instituto Nacional de Gestão do Território (INGT), Direcção-geral do Ambiente (DGA) e do Serviço Nacional de Protecção Civil, em parceria com uma equipa técnica das ilhas Canarias,

JR/ZS

Inforpress/Fim

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