É preciso fazer uma reforma para que haja modernização no sector fundiário em Cabo Verde – Vladimir Ferreira

 

Cidade da Praia, 21 Abr (Inforpress) – O professor Vladimir Ferreira advogou hoje, na Cidade da Praia, que o país precisa de uma reforma “urgente” para que haja modernização no sector fundiário, pois, só assim as barragens construídas vão beneficiar as famílias cabo-verdianas.

Vladimir Ferreira fez esta declaração no âmbito da Jornada de Reflexão sobre “A Questão Fundiária e a Gestão da Água na História de Cabo Verde”, onde é palestrante do tema “Construção das barragens como veículo de promoção da agricultura irrigada: Dinâmicas e desafios agro-fundiários”.

A mesma fonte aproveitou para enaltecer a iniciativa do Arquivo Nacional em trazer a questão fundiária e a gestão da água em Cabo Verde, uma vez que, para ele estes “carecem de análises mais assertivas” para que o processo de modernização do país se dê num quadro fundiário “adequado”.

O professor entende que as barragens que já foram construídas e outros que estão em fase final de construção vão permitir, em termos teóricos, beneficiar cerca de 1900 famílias, ocupando uma área irrigada com cerca de 500 hectares.

Para tal, Ferreira entende que cada família por hectare possui uma propriedade com uma dimensão a volta de 0.2 hectares, ou seja, cada família “não tem sequer meio campo de futebol”, o que, segundo ele, implica fazer um estudo melhor neste sector, no caso, uma reforma agrária.

“É preciso implementar factores de competitividade e modernizar a nossa agricultura”, disse, reafirmando que, com um quadro fundiário fragmentado e distribuição de propriedades por famílias em parcelas tão pequenas fica difícil reformar o sector agrário.

“Não é possível modernizar nenhum sector, sem que haja reforma”, afirmou, acrescentado que a última reforma aconteceu em 1978 e princípios de 1990, mas, segundo ele, “não foi positivo” para o país.

Neste sentido, Vladimir Ferreira chama a atenção do Governo, partidos políticos e sociedade civil para a reflexão dessa questão, para assim ultrapassar os “fantasmas” que ditaram o “não sucesso” da tentativa de reforma agrária que aconteceu anteriormente.

Apontou ainda que, o que arquipélago pretende em termos de modernização e incremento de competitividade no sector agrícola, não será possível no quadro fundiário actual, por isso, aconselhou a uma reforma agrária, ou caso contrário, entende, o país estará sempre a limitar o processo de crescimento da agricultura.

Para além do painel que foi debatido pelo professor Vladimir Ferreira, na jornada serão debatidos, entre outros temas o “Abastecimentos das comunidades: o caso do Porto de Praia na escala de navegação”, “Água no centro de estratégias do poder”, Barragens como instrumento de gestão e recursos”.

AF/ZS

Inforpress/Fim

 

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