25 de Abril é uma data simbólica e importante que deve ser articulada e lembrada com seriedade – ACOLP

Cidade da Praia, 25 Abr (Inforpress) – O presidente da ACOLP afirmou hoje que o 25 de Abril é uma data simbólica e importante que deve ser lembrada com seriedade, mas que faz parte de um processo de outras datas que também devem ser assinaladas e valorizadas.

Carlos Reis, presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP) fez estas declarações em entrevista exclusiva à Inforpress, no âmbito do 45º aniversario da Revolução de 25 de Abril de 1974, também conhecida como “Revolução dos Cravos”, que foi um período da história de Portugal resultante do Movimento das Forças Armadas que depôs o regime ditatorial do Estado Novo.

Nesse período, conforme conta, estava na luta pela libertação nacional e tinha recebido uma missão de ir mobilizar mais elementos da comunidade cabo-verdiana na Europa, e lembra que   após a revolução a sua missão a Gabão teve que ser cancelada.

“Quando tinha que ir a Gabão visitar elementos da comunidade cabo-verdiana vi que já não poderia lá estar porque algo estava a se mexer em Portugal, resultado da grande consciência das Forças Armadas portuguesas que chegaram a compreender que a guerra não é a solução para impor vontades”, lembrou.

“A experiência da Guiné tinha demonstrado que o balanço de forças já se tinha desequilibrado de uma forma irremediável do lado dos patriotas cabo-verdianos e guineenses Bissau que era preciso enveredar pela via da paz, concórdia” ajuntou, frisando que a luta dos povos africanos pela independência contribuiu para que acontecesse o 25 de Abril.

O 25 de Abril, realçou, é uma data que desperta simpatia e que deve ser articulada e lembrada com seriedade com outras datas, nomeadamente, a invasão à Guiné Conacri e o assassinato de Amílcar Cabral, pai da nacionalidade de Cabo Verde e Guiné-Bissau.

Segundo disse, recebeu a noticia da revolução de 25 de Abril com um misto de satisfação e inquietação em relação ao futuro, isto porque, sustentou, não se sabia se com este acontecimento “haveriam armadilhas” para os países que estavam à procura da sua independência.

“São sentimentos complexos porque há muitas coisas misturadas, porque, estando uma pessoa muito dentro do processo e lutando para mudar as coisas, não sabe bem quando e como é que o desfecho poderá acontecer, (…) o PAIGC tinha percebido que a guerra não iria demorar muito tempo até pela própria infiltração que se percebia das forças do outro lado”, declarou.

Mudando o regime politico em Portugal, prosseguiu, houve um tempo de alguma interrogação, asseverando, que perante esta situação, o PAIGC decidiu logo que era urgente reforçar a organização interna do partido, que ao mesmo tempo que ia às negociações de libertação.

Destacou por outro lado, que Cabo Verde teve sorte nesse processo porque tinha o Pedro Pires que chefiou as negociações e que tinha, portanto, toda experiência da preparação da entrega de um processo que facilitava as articulações com o interior das ilhas.

Portanto, salientou Carlos Reis, com isso se pode ampliar, aprofundar as negociações dada a fragilidade da própria situação fazendo máximo para garantir que as coisas mudassem sem violência e mais guerras.

45 anos após a Revolução de 25 de Abril o olhar que lança para os países do norte da Europa no geral e Portugal em particular, é de uma certa preocupação, isto porque a tendência do momento, sustentou, “é a utilização de uma forma perversa das garantias dos direitos individuais” registando-se fenómenos parecidos, que têm defendido os interesses de uma determinada classe esquecendo das necessidades das classes mais vulneráveis.

A 25 de abril de 1974 deu-se um golpe de estado em Portugal que colocou um ponto final no regime ditatorial em vigência desde 1933, sistema no qual António de Oliveira Salazar foi a principal figura.

Às primeiras horas da manhã de 25 de abril de 1974, militares de vários ramos ocuparam pontos estratégicos na capital portuguesa com o objetivo de derrubar o regime, na altura encabeçado por Marcello Caetano, que subira ao poder com a morte de Salazar.

Marcello Caetano, refugiou-se no Quartel do Carmo, de onde saiu sob escolta militar do capitão Salgueiro Maia, em direção ao exílio. Nas horas seguintes foi criada a Junta de Salvação Nacional.

Toda esta ação foi liderada por um movimento militar, o Movimento das Forças Armadas (MFA), que era composto na sua maior parte por capitães que tinham participado na Guerra Colonial, razão por que a revolução de Abril ficou também conhecida por “Revolução dos Cravos”, porquanto, não houve derramamento de sangue.

CM/FP

Inforpress/Fim

 

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