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“25 de Abril constituiu em si a vitória da esquerda revolucionária que habitava no império português” – Fernando Tavares

Assomada, 25 Abr (Inforpress) – O antigo preso político, Fernando Tavares, reconheceu hoje que se não fosse a Revolução de 25 Abril de 1974, Cabo Verde não seria independente, realçando que se tratou da “vitória da esquerda revolucionária” que habitava no império português.

Fernando dos Reis Tavares, conhecido também carinhosamente por “Toco”, abraçou a luta pela libertação nacional e que a coordenou em Santa Catarina ainda jovem, com 17 anos, ficando depois preso durante três anos no ex-Campo de Concentração do Tarrafal (1968-1971), fez estas considerações em entrevista exclusiva à Inforpress, a propósito dos 45 anos da Revolução de 25 de Abril de 1974, também conhecida por “Revolução dos Cravos”, assinalado esta quinta-feira.

“Houve uma conjugação de esforços que conseguiu colocar o governo fascista português numa situação de tal ordem, que fez com que praticamente tivesse caído. A guerra nas três antigas colónias [Guiné-Bissau, Angola e Moçambique] condicionou de tal forma os soldados portugueses que combatiam em África, criando-lhes uma série de problemas moral e de luta, ou seja, não tinham capacidades de ataque”, contou o combatente da Liberdade da Pátria.

Conforme lembrou, os saldados perderam as suas “capacidades de ataque” nos primeiros meses dos anos 70 e que quando chegaram ao ano de 1974, estes estavam praticamente desiludidos com a guerra nas antigas colónias portuguesas.

Aliás, acrescentou que foi o próprio exército português que viria a dar o golpe de Estado a 25 de Abril de 1974, que, segundo ele, foi guiado pela “esquerda revolucionária” que resultou na queda do governo conduzido na altura por Marcelo Caetano, tendo em conta que o seu anterior mentor Salazar havia morrido.

“Podemos dizer que foi um golpe de Estado praticamente pacífico, porque não tinham pessoas para manter de pé aquele regime”, observou, lembrando que os próprios portugueses que vivia na altura em outras colónias africana contribuíram em parceria com a Conferência de Organização Nacionalistas das colónias ditas Portuguesas (CONCP) para a queda do regime fascista português.

Entretanto, segundo a mesma fonte, apesar do golpe de Estado, os combatentes da liberdade da pátria continuaram em prisão no ex-Campo de Concentração do Tarrafal, tendo o PAIGC coordenado um movimento e ter dirigido para o Tarrafal no dia 01 de Maio de 1974.

“Toco” recorda ainda que quando o grupo chegou a Tarrafal encontrou na cadeia “fortemente reforçada” por tropas e polícias portuguesa.

“Chegamos ao Tarrafal de manhãzinha, tínhamos altifalante e dísticos empunhados em frente a porta da cadeia e o comandante da polícia veio ter connosco e nos avisou que não devíamos parar os nossos carros ali”, recordou o ex-combatente.

Daí, conta que questionaram o comandante advertindo-o que tendo em conta que o exército e o governo português tinham caído que assim como outras prisões dentro do território português, o de Tarrafal tinha que abrir também as portas e libertar os presos.

Nesse sentido, conforme contou, o grupo deu ultimato ao comandante que se até às 12:00 [do mesmo dia, 01 de Maio] não abrir o portão que iam invadir a cadeia, mas diz que tudo foi resolvido de forma pacífica e que todos os presos foram libertados a partir das 13:00.

Após a libertação dos presos, segundo ele, o movimento coordenado pelo Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde fez um “grande comício” na Cidade da Praia, tendo logo de seguida regressado a Santa Catarina.

“Toco” lembra ainda que foi a partir do dia 01 de Maio que se deu início a uma “campanha fervorosa e grande”, visando a mobilização da população de forma livre para a independência de Cabo Verde.

“A independência foi coroada de êxito e as Nações Unidas colocou na Cidade da Praia todos os seus departamentos para ajudar Cabo Verde no combate à miséria, fome e analfabetismo e para dar o arquipélago o seu verdadeiro espaço que ocupa como país livre e independente”, enfatizou Fernando dos Reis Tavares, 78 anos, que aderiu à luta muito jovem e foi preso aos 28 anos de idade.

FM/FP

Inforpress/Fim

 

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