100 anos de Tarrafal: Eleitos municipais apontam ex-Campo de Concentração como “a pior parte da história”

 

Tarrafal, 25 Abr (Inforpress ) – Os eleitos na Assembleia Municipal do Tarrafal apontaram hoje o Campo de Concentração como o “pior momento da história” do concelho, mas acreditam que este ponto negativo pode ser usado para desenvolver e projectar este município de Santiago.

Criada em 1917, hoje este concelho mais a norte da ilha de Santiago comemora os seus 100 anos de vida, e para assinalar a efeméride a comissão organizadora realizou uma sessão solene no Mercado de Artesanato local, e na ocasião homenageou-se sete centenários do concelho.

Durante esta sessão presidida pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, os discursos centraram-se na história e no percurso deste município, e os eleitos municipais apontaram o ex-Campo de Concentração como sendo “o prior momento da história de Tarrafal”.

100 anos se passaram sobre a edificação deste município, e para o presidente da Assembleia Municipal, Silvino Évora, é preciso ter “três olheómetros”, um para olhar para o caminho percorrido, outro para olhar para o quotidiano que se está a edificar e um outro para escrutinarem como podem criar um futuro para os filhos dos tarrafalenses.

O Campo de Concentração do Tarrafal criado em 1936, por Salazar, para acolher presos políticos e delitos comuns, fez deste concelho “o pior sítio da ilha de Santiago”, mas hoje é esta história que tem levado o nome de Tarrafal, além-fronteiras.

“Tivemos Campo de Concentração porque fomos considerados de um sítio inóspito, tivemos os rabelados, porque fomos desafiados a resistir. Criou-se um município para facilitar a administração da colonização e hoje estamos aqui a comemorar o centenário do mesmo município que queremos que seja uma fábrica de futuro”, disse.

Silvino Monteiro aproveitou para sugerir a criação de uma equipa multidisciplinar para que a história do Campo de Concentração seja classificada património da Humildade.

Por sua vez, ao usar da palavra o líder da bancada do Movimento para a Democracia, Nilson Gonçalves disse nesses 100 anos de história um dos maiores marcos deste concelho foi a instalação do ex-Campo Concentração do Tarrafal.

“Um ponto negativo que calhou ao município do Tarrafal”, mas que segundo este deputado, os tarrafalenses devem aproveitar dela, como uma alavanca para internacionalizar, senão mesmo, “universalizar o concelho do Tarrafal”.

Conforme o deputado, esta data, para além de ser um momento de balanço e de análise do percurso feito, é também um momento de reconhecimento daqueles que edificaram este concelho.

“É preciso reconhecerem o caminho feito, mas ainda há caminhos longínquos para serem percorridos. No caminho percorrido, houve ganhos e perdas, mas há muito mais ganhos a registar. Tivemos ganhos na educação, cidadania e no turismo, mas tivemos perdas… na economia, na agricultura e competitividade”, apontou.

Esta bancada defende que é preciso continuar a trilhar caminhos para que possamos encontrar respostas para os problemas dos jovens, para densificar a formação profissional, e aprofundar a economia local, notou.

Por sua vez, o líder da bancada do Partido Africano da Independência de Cabo Verde(PAICV-oposição), Ronaldo Cardoso defendeu que Tarrafal precisa de discernir o seu futuro, pois, foram muitos anos de “paragem, de marasmo, de desilusões e de paralisia”, e demasiados anos de espera e de adiamento do futuro.

De acordo com este deputado, a vida do Tarrafal está marcada por “momentos de muita glória”, mas também por “períodos de ensombrados”, ou seja, com a imagem de desumanidade do Campo de Concentração do Tarrafal.

Ronaldo Cardoso criticou o facto de durante um século de vida, a governação local ter sido de “partido único”, o que ao seu ver limitou o pluralismo e a diversidade que são o “sal da democracia”.

“O nosso município não experimentou ainda a alternância, e em nenhuma ocasião a implementação de uma outra visão e um novo modelo de gestão seria um desafio para fazer um melhor Tarrafal. Mas quem sabe, quem já teve o “Campo de Morte Lenta nunca pode perder a esperança”, enfatizou.

AM/FP

Inforpress/Fim

 

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