Cidade da Praia, 10 Abr (Inforpress) – A prevenção e o reforço da denúncia de crimes sexuais contra crianças e mulheres marcaram hoje uma palestra promovida pelo Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses (IMLCF), que reuniu instituições e profissionais ligados ao apoio às vítimas.
A presidente do IMLCF, Ineida Cabral, falava à imprensa momentos antes do início da palestra e sublinhou que o papel da instituição vai além da realização de perícias médico-legais, reforçando o trabalho contínuo de promoção e prevenção da agressão sexual, especialmente junto de crianças e famílias.
Segundo explicou, o instituto desenvolve acções educativas nas escolas e comunidades, com linguagem adaptada às crianças, abordando a noção de que o corpo lhes pertence, os sinais de alerta e a importância da denúncia.
O trabalho estende-se também às mães e cuidadores, com orientações sobre a preservação de vestígios, considerada fundamental para garantir maior clareza e celeridade à justiça.
“A conservação dos vestígios é de suma importância, porque muitas vezes não há sinais visíveis. Os vestígios permitem que o processo seja mais transparente e eficaz”, afirmou.
No último ano, o IMLCF alcançou cerca de 1.800 crianças na ilha de Santiago com acções formativas e lúdicas de sensibilização.
Para este ano, Ineida Cabral apontou que a meta passa por alargar as actividades a outras ilhas, numa abordagem articulada com entidades como a Polícia Judiciária, a Polícia Nacional, o Ministério Público, os bombeiros, o sector da Saúde e organizações não-governamentais, visando uniformizar procedimentos e linguagem no atendimento às vítimas.
Por seu turno, a ministra da Justiça, Joana Rosa, que participou na iniciativa, considerou que o debate em torno dos crimes sexuais contra crianças e mulheres é sensível, mas essencial, defendendo que a sociedade deve manter o tema na agenda pública.
A governante reforçou que iniciativas como esta reforçam a proteção das crianças em todos os espaços e incentivam a denúncia como forma de combater a impunidade, sublinhando que a proteção infantil exige uma resposta conjunta entre instituições, famílias e sociedade civil, com foco na prevenção.
O evento insere-se numa estratégia de reforço da cooperação institucional e internacional, visando consolidar uma rede de protecção mais eficaz e próxima das comunidades, com enfoque na prevenção, capacitação dos intervenientes e estímulo à denúncia como instrumento central na defesa dos direitos das crianças e mulheres.
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