Cidade da Praia, 15 Jan (Inforpress) – O ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou hoje que no espaço de menos de 15 dias a administração dos EUA tomou duas decisões que afetcam os cidadãos de Cabo Verde e garantiu que o Governo vai negociar a decisão.
José Luís Livramento fez estas considerações em declarações à imprensa quando explicava, ao país e aos cabo-verdianos, sobre a inclusão de Cabo Verde na lista de países com vistos de imigração suspensos pelos Estados Unidos da América (EUA).
Esclarecendo as decisões da administração dos EUA, o governante explicou que, no dia 8 de Janeiro, Cabo Verde passou a constar de uma lista de 38 países, cujos cidadãos candidatos a um visto do tipo B1 e B2, passam, a partir do dia 21 de Janeiro, a depositar uma fiança entre 5 mil e 15 mil dólares americanos como garantia do seu regresso.
“Já ontem, 14 de Janeiro, foi decidida uma nova e inesperada medida em que o Departamento de Estado anuncia a suspensão, a partir de 21 de Janeiro, da emissão de vistos de imigrantes para 75 países do mundo, incluindo Cabo Verde, desta vez com a argumentação dos altos custos sociais que os imigrantes têm representado para o tesouro americano”, disse, esclarecendo que tal decisão contempla os vistos de trabalho ou de reunião de família nos Estados Unidos da América.
Face a estas decisões, realçou que o Governo de Cabo Verde reitera a sua disponibilidade de continuar a trabalhar com a administração dos EUA para que a retoma da normalidade na mobilidade entre os dois países aconteça no mais curto "espaço de tempo”.
“Nós vamos esperar e começar a trabalhar com a administração americana, no sentido de que Cabo Verde seja excepção nessa lista, isto é, que possa retomar a normalidade dos factos. Inclusive, nós já tínhamos estado a trabalhar nesse aspecto, nomeadamente com o pedido aos Estados Unidos do regresso do Corpo da Paz”, precisou.
Realçou ainda que para ajudar o Governo a retirar o país da lista, os cabo-verdianos terão de começar a regressar a Cabo Verde, em tempo e respeitar o tempo de visto que lhes é dado, para que a taxa fique abaixo dos 10%, pois, só com esta baixa é que as autoridades nacionais teriam moral de argumentar junto do governo americano.
Segundo José Luís Livramento, só em 2024 cerca de 504 cabo-verdianos, no meio de 700 mil que lá estão, ficaram nos EUA.
Questionado sobre os que já estão indicados para serem deportados, cerca de 300, afirmou que o país está sempre preparado para acolher os seus cidadãos. Entretanto, apesar de reconhecer que se trata de uma medida de um país soberano, mesmo sendo grave, adiantou que Cabo Verde vai trabalhar com a administração americana para defender os seus interesses.
Interrogado se o regresso da embaixadora dos Estados Unidos, cinco meses após o início da sua missão em Cabo Verde, não seria um sinal ao país, o ministro dos Negócios Estrangeiros respondeu que não, alegando que tal medida se trata da “política geral e de uma decisão da actual administração”.
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